terça-feira, 15 de janeiro de 2013

É possível chegar ao conhecimento verdadeiro? A verdade existe? Duas correntes discutem esta questão:Ceticismo e dogmatismo

Quantas vezes na vida nos questionamos sobre o que fazer? Ou então nos perguntamos: por que eu? O que foi que eu fiz? O que devo mudar na minha vida? Todas estas perguntas estão relacionadas com o conhecimento que temos, com a forma de aprender que usamos, enfim todas estas questões estão relacionadas com a nossa bagagem, com a nossa forma de ver o mundo.

A verdade é que somos de um jeito. Podemos mudar? o que é preciso? Como fazer isto? Desde a Antiguidade grega que os que amam a sabedoria buscam respostas para estas e outras questões filosóficas.

O que é e como se dá o conhecimento na mente da pessoa? É possível um conhecimento verdadeiro? É possível conhecer a verdade? Estas são as questões que fundamentam a Teoria do Conhecimento ou Epistemologia, que é uma disciplina filosófica. Cada teoria que busca estudar o conhecimento constitui uma reflexão filosófica que busca investigar o que é e como se dá o conhecimento.

Dentro deste contexto duas correntes filosóficas destacam-se: Ceticismo e Dogmatismo

Para iniciar nossa viagem por estes domínios, convém lembrar Richard Rorty que afirma que  "conhecer é representar cuidadosamente o que é exterior à mente". Para conhecer então precisamos de um lado de nossa consciência - ou seja de um sujeito -  e de outro lado da realidade - o objeto. O conhecimento se dá quando a pessoa consegue apreender o objeto e representá-lo mentalmente. Dependendo da corrente filosófica, será dada mais ênfase ao sujeito - caso do Idealismo - ou ao objeto - Realismo ou Materialismo.

No caso da corrente filosófica "Idealismo", os objetos são construídos na mente -são  representados - de acordo com a capacidade de percepção da pessoa. Já para o 'Realismo' as percepções que temos são reais. Ou seja o que é percebido é o que é em si mesmo.

Para a  corrente filosófica chamada "Ceticismo", não há possibilidade de conhecer a verdade, pois os sentidos e a razão nos induzem ao erro. Para esta corrente (Ceticismo absoluto -  século IV A.C.) não há possibilidade de se chegar à verdade.

Para o Ceticismo relativo, ."o homem é a medida de todas as coisas"(Protágoras - século V A.C.), ou seja a verdade é uma construção humana, ao longo de toda a história da humanidade.

Por outro lado, para  a Corrente filosófica "Dogmatismo" há a possibilidade de se chegar à verdade. E aqui temos o dogmatismo ingênuo que confia plenamente em seu próprio conhecimento e o dogmatismo crítico, que  admite chegar ao conhecimento a partir de um esforço crítico sobre os sentidos e a Inteligência.

Kant no século XVIII buscou superar este impasse entre ceticismo e dogmatismo, a partir do que ele denominava de um exame crítico da razão.

O mais importante é que façamos sempre este exame de consciência para que sejamos guiados pelo conhecimento e não arrastados por ele.













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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O fim do Mito da Caverna - Parte II


O professor Paulo Freire explicando sobre como se dá o processo do conhecimento diz que há um primeiro momento que é o da produção de um conhecimento novo, de algo novo. O outro momento é aquele em que o conhecimento produzido é conhecido ou percebido” (gnose).

Paulo Freire afirma que neste segundo momento o sujeito cognoscente desenvolve as qualidades requeridas (cognição) na produção do conhecimento: reflexão crítica; curiosidade; questionamento exigente; inquietação; incerteza. Paulo Freire diz que quando isolamos um momento do outro, - ou seja isolamos conhecimento e cognição - o ato do conhecimento se transforma em uma mera transferência de conhecimento.

Estas considerações filosóficas nos apresentam  - sem sermos reducionista - à realidade que temos de enfrentar:  nós, seres humanos, vemos de forma parcial, ou seja, vemos por sombras e só enxergamos um pouco mais, por acréscimo da visão de outras pessoas; a cultura nos restringe em termos de consciência; não adianta conscientizar a verdade - a verdade não existe; mas vale a pena sair da caverna, ou seja ampliar o conhecimento, o foco da visão, conviver, ouvir os outros, aprender de forma colaborativa. E finalmente – sem querer reduzir a uma métrica sem sentido - não conseguimos juntar conhecimento e cognição, isto não é ensinado nas escolas, porque todos estamos ainda aprendendo.

Há em função disto, crise e insegurança, mas finalmente há a possibilidade de encontrar-se a humildade, a simplicidade, o respeito pelo próximo. É a oportunidade de se unir de forma inconsútil, conhecimento e cognição e  repensar o dogmatismo, deixando-o -  de forma delicada - ao longo dos caminhos que formos trilhando, de forma conjunta.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O fim do Mito da Caverna - Parte I


O mito da caverna de Platão nos traz a metáfora sobre a verdade, ou seja o mito afirma que vemos por sombras e que se quisermos conhecer a verdade, teremos que sair da caverna e buscar a luz, ou seja usar a consciência, para enxergar em toda plenitude.

No entanto a própria consciência é parte de um esquema cultural que nos é ensinado desde o nascimento. A tal ponto que Pierre Lévy (Tecnologias da Inteligência, Editora 34, 1998, p. 135) chega a afirmar que:

"Do ponto de vista de uma ciência da mente, a consciência e tudo aquilo diretamente relacionado a ela representam apenas um aspecto menor do pensamento inteligente. A consciência é simplesmente uma das  interfaces importantes entre o organismo e seu meio ambiente, operando em uma escala (média) de observação possível, que não é, necessariamente, a mais importante para abordar os problemas de cognição".

A diferença entre conhecimento e cognição pode ser a chave para este momento. Conhecimento é o que você sabe e cognição é o sentido, a direção que dá ao que sabe. 

Visto por este ângulo, de nada adianta tentarmos desenvolver a consciência para encontrarmos a verdade. A verdade não existe e a consciência opera em uma escala média de observação. Teremos que aprender a relativizar, ou seja aceitar novos ângulos de visão, convivendo de uma forma mais amistosa com o próximo. Teremos de nos preocupar em adquirir conhecimento, mas - fundamentalmente - teremos de aprender a dar sentido ao que estamos aprendendo - direção ao que sabemos -  e isto exigirá que compartilhemos nossas certezas, pois sentido, direção e caminho são construidos de forma participativa.




domingo, 23 de dezembro de 2012

A complexidade do ser - uma releitura de Carl Gustav Jung

Jung com muita delicadeza afirmou que nascemos originais e morremos cópias. Olhando por este ângulo podemos dizer que somos  realmente tábulas rasas e que a sociabilidade vai colorindo a vida em nós. Perfeita esta afirmação de Jung, pois somos seres sociais e aprendemos uns com os outros, um aprendizado colaborativo que nos torna cópias recíprocas. Temos mais dos outros do que gostaríamos de ter, a ponto de William Reich dizer que "João quando fala de José fala mais de João do que de José".

Seguindo esta pista e ampliando o foco de visão, é bom trazer Edgar Morin, que diz que o contrário de uma verdade é outra verdade tão profunda quanto a primeira. Assim, por outro lado,  se observarmos o "ser" pelo ângulo do inatismo podemos afirmar que nascemos cópias e morremos originais.

Segundo o inatismo, há uma herança de talentos, capacidades, habilidades, que foram tecidas na sociabilidade das gerações e nos foram transmitidas na herança biológica e espiritual, fazendo-nos - desde o nascimento - cópias uns dos outros - numa transação que vai ao mil avô. É a nossa existência - num exercício de autoconhecimento - que nos dará  a oportunidade de nos tornarmos originais, se conseguirmos ir além da cultura e neste exercício, conseguirmos dar o  salto às estrelas.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Há uma filosofia escondida em tudo o que você faz

Procure observar a sua rotina diária, como se você pudesse ser você mesmo e um outro que se observa de um ponto mais alto e fora do contexto vivido.

A partir desta referência observe se você está deixando espaço para que algo novo possa surgir de toda a experiência, ou se você já catalogou tudo e referenciou tudo, fechando a possibilidade de que algo novo possa surgir - um novo conhecimento resultado do contexto vivido.

Busque incorporar na sua vida a forma socrática de existir, aprendendo todo dia algo novo, uma sabedoria que vem da vida vivida, como se nada soubesse. E lembre-se de que "....justamente, o que é a fonte da maior verdade pode, ser a fonte do maior erro " (Edgard Morin). Ou seja - por exemplo -  pode ser verdade que algumas pessoas tenham sido injustas com você, mas você não deve mudar a sua trajetória mental e emocional para devolver a elas o que elas merecem. 

Esse seria o seu erro. O melhor é seguir em frente, como se elas não existissem. Elas passarão e você passarinho (Mario Quintana). 


sábado, 1 de dezembro de 2012

Consciência Coletiva - Consciência humana


"O dia em que pararmos de nos preocupar com Consciência Negra, Amarela ou Branca e nos preocuparmos com Consciência Humana, o racismo desaparece." (Morgan Freeman)

Penso que o Neo Liberalismo estimula o desenvolvimento de visões separatistas - os Direitos Individuais isolados: Consciência judáica; consciência gay; Consciência cristã; Consciência feminina; Consciência negra. Interessa ao Liberalismo que não exista unidade. Interessa que a causa comum fracasse imperceptivelmente. Morgan Freeman já percebeu, porque é um homem inteligente que percebe a importância de se ter uma visão de conjunto do povo pobre, humilhado, que está cada vez mais sem voz, porque não tem nenhuma bandeira, a não ser a do operário sem direito a emblemas.

Na terra somos mais de 6 bilhões de pessoas e excluidos são em torno de 3,5 bilhões, de todas as cores, credos e gêneros. Só uma consciência unificada pode fazer que sejamos irmãos numa causa comum. Mas isto não interessa ao neo Liberalismo que quer dividir para reinar.

Mas tudo isto é Cultura, é linguagem, é a forma como o povo  "percebe" socio-políticamente o quadro conceitual. Nietzche já dizia que Cultura é uma teia que só apanha, o que se deixa apanhar, e eu afirmo que cada um colhe em função do seu próprio nível de percepção.

Violência nas escolas e relação professor aluno

Assisti ontem um debate incrível com um professor da UNB e uma professora da UNESCO, sobre uma Pedagogia para a Democracia. Passo o link Imperdível! 

http://globotv.globo.com/globo-news/globo-news-alexandre-garcia/v/convidados-debatem-violencia-nas-escolas-e-relacao-entre-professor-e-aluno/2266840/