Quantas vezes na vida nos questionamos sobre o que fazer? Ou então nos perguntamos: por que eu? O que foi que eu fiz? O que devo mudar na minha vida? Todas estas perguntas estão relacionadas com o conhecimento que temos, com a forma de aprender que usamos, enfim todas estas questões estão relacionadas com a nossa bagagem, com a nossa forma de ver o mundo.
A verdade é que somos de um jeito. Podemos mudar? o que é preciso? Como fazer isto? Desde a Antiguidade grega que os que amam a sabedoria buscam respostas para estas e outras questões filosóficas.
O que é e como se dá o conhecimento na mente da pessoa? É possível um conhecimento verdadeiro? É possível conhecer a verdade? Estas são as questões que fundamentam a Teoria do Conhecimento ou Epistemologia, que é uma disciplina filosófica. Cada teoria que busca estudar o conhecimento constitui uma reflexão filosófica que busca investigar o que é e como se dá o conhecimento.
Dentro deste contexto duas correntes filosóficas destacam-se: Ceticismo e Dogmatismo
Para iniciar nossa viagem por estes domínios, convém lembrar Richard Rorty que afirma que "conhecer é representar cuidadosamente o que é exterior à mente". Para conhecer então precisamos de um lado de nossa consciência - ou seja de um sujeito - e de outro lado da realidade - o objeto. O conhecimento se dá quando a pessoa consegue apreender o objeto e representá-lo mentalmente. Dependendo da corrente filosófica, será dada mais ênfase ao sujeito - caso do Idealismo - ou ao objeto - Realismo ou Materialismo.
No caso da corrente filosófica "Idealismo", os objetos são construídos na mente -são representados - de acordo com a capacidade de percepção da pessoa. Já para o 'Realismo' as percepções que temos são reais. Ou seja o que é percebido é o que é em si mesmo.
Para a corrente filosófica chamada "Ceticismo", não há possibilidade de conhecer a verdade, pois os sentidos e a razão nos induzem ao erro. Para esta corrente (Ceticismo absoluto - século IV A.C.) não há possibilidade de se chegar à verdade.
Para o Ceticismo relativo, ."o homem é a medida de todas as coisas"(Protágoras - século V A.C.), ou seja a verdade é uma construção humana, ao longo de toda a história da humanidade.
Por outro lado, para a Corrente filosófica "Dogmatismo" há a possibilidade de se chegar à verdade. E aqui temos o dogmatismo ingênuo que confia plenamente em seu próprio conhecimento e o dogmatismo crítico, que admite chegar ao conhecimento a partir de um esforço crítico sobre os sentidos e a Inteligência.
Kant no século XVIII buscou superar este impasse entre ceticismo e dogmatismo, a partir do que ele denominava de um exame crítico da razão.
O mais importante é que façamos sempre este exame de consciência para que sejamos guiados pelo conhecimento e não arrastados por ele.
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A Filosofia é um modo de pensar, e ao final se manifesta em um modo de existir. É uma forma de se colocar diante da realidade, diante dos problemas. A Filosofia questiona, indaga e não se acomoda diante das verdades absolutas. A Ética sendo uma parte da Filosofia se ocupa com a reflexão sobre os princípios que regem a vida moral da sociedade.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
O fim do Mito da Caverna - Parte II
O professor Paulo Freire explicando sobre como se dá o processo do conhecimento diz que há um primeiro momento que é o da produção de um conhecimento novo, de algo novo. O outro momento é aquele em que o conhecimento produzido é conhecido ou percebido” (gnose).
Paulo Freire afirma que neste segundo momento o sujeito cognoscente desenvolve as qualidades requeridas (cognição) na produção do conhecimento: reflexão crítica; curiosidade; questionamento exigente; inquietação; incerteza. Paulo Freire diz que quando isolamos um momento do outro, - ou seja isolamos conhecimento e cognição - o ato do conhecimento se transforma em uma mera transferência de conhecimento.
Estas considerações filosóficas nos apresentam - sem sermos reducionista - à realidade que temos de enfrentar: nós, seres humanos, vemos de forma parcial, ou seja, vemos por sombras e só enxergamos um pouco mais, por acréscimo da visão de outras pessoas; a cultura nos restringe em termos de consciência; não adianta conscientizar a verdade - a verdade não existe; mas vale a pena sair da caverna, ou seja ampliar o conhecimento, o foco da visão, conviver, ouvir os outros, aprender de forma colaborativa. E finalmente – sem querer reduzir a uma métrica sem sentido - não conseguimos juntar conhecimento e cognição, isto não é ensinado nas escolas, porque todos estamos ainda aprendendo.
Há em função disto, crise e insegurança, mas finalmente há a possibilidade de encontrar-se a humildade, a simplicidade, o respeito pelo próximo. É a oportunidade de se unir de forma inconsútil, conhecimento e cognição e repensar o dogmatismo, deixando-o - de forma delicada - ao longo dos caminhos que formos trilhando, de forma conjunta.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
O fim do Mito da Caverna - Parte I
O mito da caverna de Platão nos traz a metáfora sobre a verdade,
ou seja o mito afirma que vemos por sombras e que se quisermos conhecer a
verdade, teremos que sair da caverna e buscar a luz, ou seja usar a
consciência, para enxergar em toda plenitude.
No entanto a própria consciência é parte de um esquema cultural que nos é ensinado desde o nascimento. A tal ponto que Pierre Lévy (Tecnologias da Inteligência, Editora 34, 1998, p. 135) chega a afirmar que:
"Do ponto de vista de uma ciência da mente, a consciência e tudo
aquilo diretamente relacionado a ela representam apenas um aspecto menor do
pensamento inteligente. A consciência é simplesmente uma das interfaces
importantes entre o organismo e seu meio ambiente, operando em uma escala
(média) de observação possível, que não é, necessariamente, a mais importante
para abordar os problemas de cognição".
A diferença entre conhecimento e cognição pode ser a chave para
este momento. Conhecimento é o que você sabe e cognição é o sentido, a direção
que dá ao que sabe.
Visto por este ângulo, de nada adianta tentarmos desenvolver a consciência para encontrarmos a verdade. A verdade não existe e a consciência opera em uma escala média de observação. Teremos que aprender a relativizar, ou seja aceitar novos ângulos de visão, convivendo de uma forma mais amistosa com o próximo. Teremos de nos preocupar em adquirir conhecimento, mas - fundamentalmente - teremos de aprender a dar sentido ao que estamos aprendendo - direção ao que sabemos - e isto exigirá que compartilhemos nossas certezas, pois sentido, direção e caminho são construidos de forma participativa.
domingo, 23 de dezembro de 2012
A complexidade do ser - uma releitura de Carl Gustav Jung
Jung com muita delicadeza afirmou que nascemos originais e morremos cópias. Olhando por este ângulo podemos dizer que somos realmente tábulas rasas e que a sociabilidade vai colorindo a vida em nós. Perfeita esta afirmação de Jung, pois somos seres sociais e aprendemos uns com os outros, um aprendizado colaborativo que nos torna cópias recíprocas. Temos mais dos outros do que gostaríamos de ter, a ponto de William Reich dizer que "João quando fala de José fala mais de João do que de José".
Seguindo esta pista e ampliando o foco de visão, é bom trazer Edgar Morin, que diz que o contrário de uma verdade é outra verdade tão profunda quanto a primeira. Assim, por outro lado, se observarmos o "ser" pelo ângulo do inatismo podemos afirmar que nascemos cópias e morremos originais.
Segundo o inatismo, há uma herança de talentos, capacidades, habilidades, que foram tecidas na sociabilidade das gerações e nos foram transmitidas na herança biológica e espiritual, fazendo-nos - desde o nascimento - cópias uns dos outros - numa transação que vai ao mil avô. É a nossa existência - num exercício de autoconhecimento - que nos dará a oportunidade de nos tornarmos originais, se conseguirmos ir além da cultura e neste exercício, conseguirmos dar o salto às estrelas.
Seguindo esta pista e ampliando o foco de visão, é bom trazer Edgar Morin, que diz que o contrário de uma verdade é outra verdade tão profunda quanto a primeira. Assim, por outro lado, se observarmos o "ser" pelo ângulo do inatismo podemos afirmar que nascemos cópias e morremos originais.
Segundo o inatismo, há uma herança de talentos, capacidades, habilidades, que foram tecidas na sociabilidade das gerações e nos foram transmitidas na herança biológica e espiritual, fazendo-nos - desde o nascimento - cópias uns dos outros - numa transação que vai ao mil avô. É a nossa existência - num exercício de autoconhecimento - que nos dará a oportunidade de nos tornarmos originais, se conseguirmos ir além da cultura e neste exercício, conseguirmos dar o salto às estrelas.
domingo, 9 de dezembro de 2012
Há uma filosofia escondida em tudo o que você faz
Procure observar a sua rotina diária, como se você pudesse ser você mesmo e um outro que se observa de um ponto mais alto e fora do contexto vivido.
A partir desta referência observe se você está deixando espaço para que algo novo possa surgir de toda a experiência, ou se você já catalogou tudo e referenciou tudo, fechando a possibilidade de que algo novo possa surgir - um novo conhecimento resultado do contexto vivido.
Busque incorporar na sua vida a forma socrática de existir, aprendendo todo dia algo novo, uma sabedoria que vem da vida vivida, como se nada soubesse. E lembre-se de que "....justamente, o que é a fonte da maior verdade pode, ser a fonte do maior erro " (Edgard Morin). Ou seja - por exemplo - pode ser verdade que algumas pessoas tenham sido injustas com você, mas você não deve mudar a sua trajetória mental e emocional para devolver a elas o que elas merecem.
Esse seria o seu erro. O melhor é seguir em frente, como se elas não existissem. Elas passarão e você passarinho (Mario Quintana).
A partir desta referência observe se você está deixando espaço para que algo novo possa surgir de toda a experiência, ou se você já catalogou tudo e referenciou tudo, fechando a possibilidade de que algo novo possa surgir - um novo conhecimento resultado do contexto vivido.
Busque incorporar na sua vida a forma socrática de existir, aprendendo todo dia algo novo, uma sabedoria que vem da vida vivida, como se nada soubesse. E lembre-se de que "....justamente, o que é a fonte da maior verdade pode, ser a fonte do maior erro " (Edgard Morin). Ou seja - por exemplo - pode ser verdade que algumas pessoas tenham sido injustas com você, mas você não deve mudar a sua trajetória mental e emocional para devolver a elas o que elas merecem.
Esse seria o seu erro. O melhor é seguir em frente, como se elas não existissem. Elas passarão e você passarinho (Mario Quintana).
sábado, 1 de dezembro de 2012
Consciência Coletiva - Consciência humana
"O dia em que
pararmos de nos preocupar com Consciência Negra, Amarela ou Branca e nos
preocuparmos com Consciência Humana, o racismo desaparece." (Morgan
Freeman)
Penso que o Neo Liberalismo estimula o desenvolvimento de visões separatistas - os Direitos Individuais isolados: Consciência judáica; consciência gay; Consciência cristã; Consciência feminina; Consciência negra. Interessa ao Liberalismo que não exista unidade. Interessa que a causa comum fracasse imperceptivelmente. Morgan Freeman já percebeu, porque é um homem inteligente que percebe a importância de se ter uma visão de conjunto do povo pobre, humilhado, que está cada vez mais sem voz, porque não tem nenhuma bandeira, a não ser a do operário sem direito a emblemas.
Na terra somos mais de 6 bilhões de pessoas e excluidos são em torno de 3,5 bilhões, de todas as cores, credos e gêneros. Só uma consciência unificada pode fazer que sejamos irmãos numa causa comum. Mas isto não interessa ao neo Liberalismo que quer dividir para reinar.
Mas tudo isto é Cultura, é linguagem, é a forma como o povo "percebe" socio-políticamente o quadro conceitual. Nietzche já dizia que Cultura é uma teia que só apanha, o que se deixa apanhar, e eu afirmo que cada um colhe em função do seu próprio nível de percepção.
Violência nas escolas e relação professor aluno
Assisti ontem um debate incrível com um professor da UNB e uma professora da UNESCO, sobre uma Pedagogia para a Democracia. Passo o link Imperdível!
http://globotv.globo.com/ globo-news/ globo-news-alexandre-garcia/v/ convidados-debatem-violencia-na s-escolas-e-relacao-entre-prof essor-e-aluno/2266840/
http://globotv.globo.com/
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