Mary Parker Follett nasceu em Quincy, no ano de 1868, e foi uma autora norte-americana que ficou conhecida como a “profetisa do gerenciamento”. Formou-se em filosofia, direito, economia, serviço social e administração pública.
Como cientista política, assistente social nos anos 20, afirmava que ninguém pode nos dar a democracia, devemos aprender a democracia. Ela dizia que ser democrata é aprender como viver com outros seres humanos. Para ela o indivíduo não é parte do todo, nem uma peça na máquina, nem tampouco um órgão dentro de um organismo; é de um ponto de vista do Todo, ele mesmo.
Follett usava o conceito de grupo com o significado de associação sob a lei da interpenetração. Suas idéias de construção da cidadania são tão avançadas que, publicadas em 1920 sob o título The New State – Group Organization The Solution of Popular Government, são hoje consideradas futuristas e ela está sendo nomeada mundialmente como a profeta do gerenciamento.
Ela sustenta que a organização moderna precisa, acima de tudo, de pessoas capazes de se unir, não das que se unam sem atritos, mas que possam fazer uso de sua união. Destaca que o indivíduo de negócios bem sucedido de hoje é aquele de inteligência cooperativa treinada. Ela afirma que o mundo deposita um grande valor no indivíduo que é capaz de participar de uma reflexão coletiva e de ações unificadas, havendo posições mais altas oferecidas a ele na empresa e no campo político.
Follett usa o conceito de grupo com o significado de associação entre pessoas, sob a lei da interpenetração. Para Follett, em sua natureza, todas as instituições estão latentes e, necessariamente, devem ser adaptadas a essa natureza. Segundo ela, o ser humano, não as coisas, deve ser o ponto de partida para o futuro. Para ela, um cidadão é alguém que ajuda a realizar o propósito para que esta nação exista. Follett afirma que o cidadão deve também ajudar a criar o propósito.
Follett trata dos seguintes assuntos: Como liderar conflitos? É possível prever conflitos? O que são conflitos construtivos?
Follet foi a primeira estudiosa a introduzir o conceito de circularidade na interação dos seres humanos. E o que é a resposta circular? Ela afirma que as relações entre as pessoas estão em constante modificação, que o simples contato entre duas pessoas que se relacionam já altera a forma como cada uma vê uma questão. Ela propõe que há influências recíprocas e que cada nova percepção ao ser recebida irá alterar a forma como pensa, num ciclo contínuo.
E o que é o conflito construtivo? Follett afirma que existem três soluções possíveis para um conflito, seja ele percebido a priori – que é o chamado conflito construtivo – ou a posteriori – que é o conflito danoso. Follett afirma que as divergências são importantes porque revelam uma diferença de opinião que cedo ou tarde se manifestará, de forma danosa ou não.Quais são as três soluções?
A primeira solução seria a DOMINAÇÃO onde somente um dos lados terá suas exigências atendidas, e assim, o conflito será sufocado. A segunda solução diz que os dois lados cederão e um meio-termo será adotado como solução. A CONCILIAÇÃO é uma alternativa nociva já que nenhum dos lados tem suas reivindicações plenamente percebidas atendidas. A terceira solução é a solução ideal proposta por ela, que é a INTEGRAÇÃO, que parte do pressuposto que o conflito existe porque demandas não são atendidas, e essas demandas não devem ser suprimidas, e sim supridas.
Follett diz que as potencialidades do indivíduo permanecem latentes até que elas sejam liberadas pela vida em grupo. Contruir um grupo, saber criar e coordenar equipes interdisciplinares são hoje pontos fundamentais para o sucesso de um projeto, por este motivo, indivíduos e gestores precisam compreender o poder das vizinhanças, o poder do networking, o poder dos grupos de relacionamento.
Follett morreu no Reino Unido em 1933, sete anos depois da morte de sua companheira Isobel Briggs com qual viveu por mais de 30 anos.
A Filosofia é um modo de pensar, e ao final se manifesta em um modo de existir. É uma forma de se colocar diante da realidade, diante dos problemas. A Filosofia questiona, indaga e não se acomoda diante das verdades absolutas. A Ética sendo uma parte da Filosofia se ocupa com a reflexão sobre os princípios que regem a vida moral da sociedade.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
domingo, 9 de janeiro de 2011
EDGAR MORIN - CIÊNCIA, ÉTICA E SOCIEDADE
Edgar Morin citando Wojciechowski diz que "Ciência e tecnologia triunfaram e fracassaram ao mesmo tempo". Triunfaram materialmente e fracassaram moralmente".
Hoje estamos diante de uma disjunção entre ciência, ética e política e os desenvolvimentos da tecnociência revelam-se uma tragédia. Em todo o campo político a ética é residual; no campo científico não se discutem os desdobramentos, as implicações do desenvolvimento tecnológico - o chamado progresso tecnológico. Enquanto isso o pauperismo acompanha a riqueza como uma sombra.
Na verdade de acordo como as coisas estào montadas, os bens da Sociedade da Informação não são para todos. e como diz Edgar Morin, a ética está desarmada entre a ciência amoral e a política imoral.
Está certo Morin quando diz que a ciência é um assunto sério demais para ser deixada unicamente nas mãos dos cientistas. Tornou-se perigosa demais para ser deixada unicamente nas mãos dos chefes de Estado. Em outras palavras a ciência tornou-se um problema cívico, um problema de cidadãos. Mas os cidadãos estão, por ora, alijados do saber que lhes permitiria o acesso ao controle ético da instância política.
Ele afirma que os fundamentos da ética estão em crise, o sentido da responsabilidade encolheu; o sentido da solidariedade enfraqueceu-se. Há uma crise geral dos fundamentos da certeza, uma crise nos fundamentos do conhecimento científico. Há hoje uma privatização da ética.
Edgar Morin fala em "humanismo regenerado, que se baseia na fragilidade e na mortalidade do indivíduo, se baseia no seu inacabamento, trata-se de um humanismo que rejeita a ilusão do progresso garantido, mas acredita na metamorfose das sociedades numa Sociedade-Mundo capaz de tornar-se Terra-Pátria.
(Edgard Morin, Método 6 - Ética).
Hoje estamos diante de uma disjunção entre ciência, ética e política e os desenvolvimentos da tecnociência revelam-se uma tragédia. Em todo o campo político a ética é residual; no campo científico não se discutem os desdobramentos, as implicações do desenvolvimento tecnológico - o chamado progresso tecnológico. Enquanto isso o pauperismo acompanha a riqueza como uma sombra.
Na verdade de acordo como as coisas estào montadas, os bens da Sociedade da Informação não são para todos. e como diz Edgar Morin, a ética está desarmada entre a ciência amoral e a política imoral.
Está certo Morin quando diz que a ciência é um assunto sério demais para ser deixada unicamente nas mãos dos cientistas. Tornou-se perigosa demais para ser deixada unicamente nas mãos dos chefes de Estado. Em outras palavras a ciência tornou-se um problema cívico, um problema de cidadãos. Mas os cidadãos estão, por ora, alijados do saber que lhes permitiria o acesso ao controle ético da instância política.
Ele afirma que os fundamentos da ética estão em crise, o sentido da responsabilidade encolheu; o sentido da solidariedade enfraqueceu-se. Há uma crise geral dos fundamentos da certeza, uma crise nos fundamentos do conhecimento científico. Há hoje uma privatização da ética.
Edgar Morin fala em "humanismo regenerado, que se baseia na fragilidade e na mortalidade do indivíduo, se baseia no seu inacabamento, trata-se de um humanismo que rejeita a ilusão do progresso garantido, mas acredita na metamorfose das sociedades numa Sociedade-Mundo capaz de tornar-se Terra-Pátria.
(Edgard Morin, Método 6 - Ética).
domingo, 2 de janeiro de 2011
CARL GUSTAV JUNG - FILOSOFIA, ÉTICA E MAGIA
"Minha vida é a história de um inconsciente que se realizou. Tudo o que nele repousa aspira torna-se acontecimento, e a personalidade, por seu lado, quer evoluir a partir de suas condições inconscientes e experimentar-se como totalidade.
A fim de descrever esse desenvolvimento, tal como se processou em mim, não posso servir-me da linguagem científica; não posso experimentar-me como um problema científico". (Carl Gustav Jung).
Carl Gustav Jung uniu em sua obra dois aspectos - religião e ciência e dizia: "Lá estava o campo comum da experiência dos dados biológicos e dados espirituais, que até então eu buscara inutilmente. Tratava-se, enfim, do lugar em que o encontro da natureza e do espírito se torna realidade".
Interessou-se por filosofia e por literatura, especialmente pelas obras de Pitágoras, Empédocles, Heráclito, Platão, Kant e Goethe. Estudou em profundidade a alquimia, a magia, o dogma da Trindade. Seus Sete Sermãos aos Mortos é uma obra misteriosa e mágica que se fecha aos céticos, mas se abre a todo aquele ou aquela que busca entender os caminhos do desenvolvimento do espírito.
Outro trabalho importante de Jung na esfera da magia é "O Símbolo da Transformação na missa".
Para perceber a profundidade destes estudos, sublinha-se um de seus trabalhos, o "Psychological Types", onde ele cita os versos místicos de Angelus de Silesius, que refletem uma realidade espiritual que ele próprio buscou mostrar no Sétimo Sermão aos Mortos:
_____________________________________
Sei que sem mim
Deus não pode viver um momento;
Se acaso eu perecesse, Ele não poderia sobreviver.
Sou tão grande quanto Deus,
E Ele tão pequeno quanto eu;
Ele não pode estar acima
Nem eu abaixo dele.
Em mim Deus é fogo
E nele eu sou o seu brilho
A nossa é uma vida em comum......
Separados não podemos crescer.
Deus é o homem Ele é para mim
Os dois, na verdade, eu sou para Ele,
Sua sede eu satisfaço,
Em minha necessidade Ele auxilia.
Deus é como é.
Sou o que devo ser;
Se conheces um, na verdade
A Ele e a mim conheces.
Sou a vinha que ele mais cultiva e acalenta
fruto que de mim cresce É Deus,
O Santo Espírito.
________________________________________
Esse espírito mágico inspirou Jung em toda sua obra e pode ser sentido em toda a sua profundidade em "Os Sete Sermões aos Mortos". Goethe em O Fausto, também foi tocado por esse espírito:
Nas marés da vida, na tempestade da Ação,
Uma onda flutuante, uma lançadeira desenfreada,
Nascimento e túmulo, um mar eterno,
Uma vida que tece e flui, todo luminosa,
Assim, no tear sussurrante do tempo
É a minha mão que prepara a vestimenta da vida que a Divindade veste!
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Um olhar filosófico sobre Max Weber e a Subjetividade
Weber (1864 - 1920) afirma que quando nossas ações e reações orientam-se pelo que os outros fazem ou fizeram, isto se chama “ação social”, porque neste tipo de ação nos orientamos pelo comportamento dos outros, seja este um comportamento passado, presente ou futuro. Indivíduos ou uma multiplicidade de pessoas influenciam nossa forma de agir. E sucessivamente também podemos influenciar outras pessoas. Weber queria entender o sentido subjetivo que sustenta as ações das pessoas.
A ação social carrega outros conceitos: subjetividade, influência, ascendência, predomínio, interferência, Atividade de grupo.
Isto significa que a pessoa é fortemente influenciada por pessoas e por sua vez influencia outras pessoas e haverá um predomínio de idéias, haverá uma interferência na forma de pensar e de agir. Imaginemos agora este fenômeno da ação social em um grupo que se constrói mutuamente. Que idéias vão prevalecer? Que ações vão prevalecer? Qual será o resultado final desta ontologia? Qual será o sentido último da ação social como fenômeno teleológico?
Weber queria entender os diferentes modos através dos quais as pessoas dão sentido subjetivo (1) às suas atividades e considerava que a sociologia deveria debruçar-se sobre este estudo, mesmo que os complexos de sentido lhes parecessem estranhos, curiosos, peculiares.
Dentro deste argumento é que a sociologia de Weber fala em sentido subjetivo e realidade empírica e concreta, pois é no contexto, é no grupo que as pessoas vão se influenciar umas às outras e sofrer suas influências, carregando de sentido (ou não) suas ações no grupo.
Para Weber há uma multiplicidade de forças causais determinantes dos contornos do passado e do presente. São as inúmeras ações e crenças das pessoas e suas influências mútuas e destas com a realidade, que determinam a história. Não são nem as Leis de Mercado de Adam Smith, nem a "Luta de Classes" de Karl Marx.
(1) O sentido subjetivo tem a ver com os valores que impregnam as nossas idéias e se refletem em nossas ações. Valores e crenças são transmitidos, ensinados, impostos e levam a pensar e agir desta ou daquela maneira, influenciando pessoas e sendo por elas influenciado. Quem me influenciou ou influencia? A quem estou influenciando? Estas discussões deveriam ser um importante objeto da Sociologia, segundo Max Weber.
A ação social carrega outros conceitos: subjetividade, influência, ascendência, predomínio, interferência, Atividade de grupo.
Isto significa que a pessoa é fortemente influenciada por pessoas e por sua vez influencia outras pessoas e haverá um predomínio de idéias, haverá uma interferência na forma de pensar e de agir. Imaginemos agora este fenômeno da ação social em um grupo que se constrói mutuamente. Que idéias vão prevalecer? Que ações vão prevalecer? Qual será o resultado final desta ontologia? Qual será o sentido último da ação social como fenômeno teleológico?
Weber queria entender os diferentes modos através dos quais as pessoas dão sentido subjetivo (1) às suas atividades e considerava que a sociologia deveria debruçar-se sobre este estudo, mesmo que os complexos de sentido lhes parecessem estranhos, curiosos, peculiares.
Dentro deste argumento é que a sociologia de Weber fala em sentido subjetivo e realidade empírica e concreta, pois é no contexto, é no grupo que as pessoas vão se influenciar umas às outras e sofrer suas influências, carregando de sentido (ou não) suas ações no grupo.
Para Weber há uma multiplicidade de forças causais determinantes dos contornos do passado e do presente. São as inúmeras ações e crenças das pessoas e suas influências mútuas e destas com a realidade, que determinam a história. Não são nem as Leis de Mercado de Adam Smith, nem a "Luta de Classes" de Karl Marx.
(1) O sentido subjetivo tem a ver com os valores que impregnam as nossas idéias e se refletem em nossas ações. Valores e crenças são transmitidos, ensinados, impostos e levam a pensar e agir desta ou daquela maneira, influenciando pessoas e sendo por elas influenciado. Quem me influenciou ou influencia? A quem estou influenciando? Estas discussões deveriam ser um importante objeto da Sociologia, segundo Max Weber.
sábado, 4 de dezembro de 2010
NIETZSCHE E O SUPER HOMEM
A Filosofia não tem respostas prontas, mas indagações: O que é o super-homem? Defina super-homem. Não há respostas, mas reflexões sobre o conceito de Nietzsche, pois todo símbolo é parte do universo interior - imaginário carregado de significado - e segundo Nietzche "não há uma estrada para o mundo real” (Nietzsche em Aurora).
Para Nietzsche o super-homem é o indivíduo que criou seus próprios valores afirmativos da vida, que não é condicionado pelos hábitos e valores sociais de uma época. Realmente esta é uma definição que cientificamente abre uma grande janela para um novo conceito de inteligência social. Para aprofundarmos nossas reflexões teremos que nos apoiar em Bakhtin (Mikhail Mikhailovich Bakhtin (1895 - 1975) que foi um linguista russo, para quem “a palavra é o signo ideológico por excelência” e também "uma ponte entre mim e o outro". Mas o que seria esta ponte entre mim e o outro? Bakhtin afirmava que a inter-subjetividade antecede à subjetividade, querendo dizer com isto que para o sujeito se realizar ele precisa da comunidade. Isto significa que somos condicionados pelos hábitos e valores sociais de uma época. Que estágio de desenvolvimento social será este, no qual a sociedade cria o indivíduo autônomo e capaz de superar-se a si mesmo e de socializar para outros a sua experiência?
Continuando as reflexões podemos idizer como Gerald Durozoi e André Roussel, que Super-Homem é o tipo superior de homem que conseguiu superar todos os valores. É possível mesmo superar todos os valores e adquirir uma nova subjetividade? Rubens Rodrigues Torres Filho diz que Super-Homem é aquele que supera as ilusões e se volta para a Terra, dando valor à vida terrena, com um novo modo de sentir, pensar e avaliar, uma nova forma de existir como sujeito. Ou seja, o Super-Homem adquire uma nova subjetividade, na vivência conjunta do cotidiano..
Quanto a mim, não tenho respostas prontas sobre como será a heterogênese do novo humano como super-homem, mas gosto neste viés do que dizem Marx e Engels em “Ideologia Alemã:
A partir do momento em que os homens vivem na sociedade natural, (...) cada indivíduo tem uma esfera de atividade exclusiva que lhe é imposta e da qual não pode sair; é caçador, pescador, pastor ou crítico e não pode deixar de o ser se não quiser perder os seus meios de subsistência. Na sociedade comunista(sic), porém, (...) é a sociedade que regula a produção geral e me possibilita fazer hoje uma coisa, amanhã outra, caçar da manhã, pescar à tarde, pastorear à noite, fazer crítica depois da refeição, e tudo isto a meu bel-prazer, sem por isso me tornar exclusivamente caçador, pescador ou crítico”.
Neste contexto e nestes sentidos haverá uma estrada para o mundo real? Volto a Nietzsche que, se por um lado fala no super-homem, por outro lado adverte que nossas lentes são fornecidas pela cultura e nossos sentidos nos envolvem na mentira. Ele diz que somos aranhas em uma teia que só apanha o que se deixa apanhar, ou seja, os sentidos captam o que a cultura ensina a apanhar. Podemos vencer o desafio da autonomia?
Enfim...somos causa uns dos outros e talvez a resposta esteja no processo de causação mútua: ou mudamos todos juntos - embora cada um a seu tempo - num processo consciente, ou não teremos mudanças! É bom frisar aqui que as histórias precisam ser entretecidas de forma conjunta - em tempo intemporal.
Para Nietzsche o super-homem é o indivíduo que criou seus próprios valores afirmativos da vida, que não é condicionado pelos hábitos e valores sociais de uma época. Realmente esta é uma definição que cientificamente abre uma grande janela para um novo conceito de inteligência social. Para aprofundarmos nossas reflexões teremos que nos apoiar em Bakhtin (Mikhail Mikhailovich Bakhtin (1895 - 1975) que foi um linguista russo, para quem “a palavra é o signo ideológico por excelência” e também "uma ponte entre mim e o outro". Mas o que seria esta ponte entre mim e o outro? Bakhtin afirmava que a inter-subjetividade antecede à subjetividade, querendo dizer com isto que para o sujeito se realizar ele precisa da comunidade. Isto significa que somos condicionados pelos hábitos e valores sociais de uma época. Que estágio de desenvolvimento social será este, no qual a sociedade cria o indivíduo autônomo e capaz de superar-se a si mesmo e de socializar para outros a sua experiência?
Continuando as reflexões podemos idizer como Gerald Durozoi e André Roussel, que Super-Homem é o tipo superior de homem que conseguiu superar todos os valores. É possível mesmo superar todos os valores e adquirir uma nova subjetividade? Rubens Rodrigues Torres Filho diz que Super-Homem é aquele que supera as ilusões e se volta para a Terra, dando valor à vida terrena, com um novo modo de sentir, pensar e avaliar, uma nova forma de existir como sujeito. Ou seja, o Super-Homem adquire uma nova subjetividade, na vivência conjunta do cotidiano..
Quanto a mim, não tenho respostas prontas sobre como será a heterogênese do novo humano como super-homem, mas gosto neste viés do que dizem Marx e Engels em “Ideologia Alemã:
A partir do momento em que os homens vivem na sociedade natural, (...) cada indivíduo tem uma esfera de atividade exclusiva que lhe é imposta e da qual não pode sair; é caçador, pescador, pastor ou crítico e não pode deixar de o ser se não quiser perder os seus meios de subsistência. Na sociedade comunista(sic), porém, (...) é a sociedade que regula a produção geral e me possibilita fazer hoje uma coisa, amanhã outra, caçar da manhã, pescar à tarde, pastorear à noite, fazer crítica depois da refeição, e tudo isto a meu bel-prazer, sem por isso me tornar exclusivamente caçador, pescador ou crítico”.
Neste contexto e nestes sentidos haverá uma estrada para o mundo real? Volto a Nietzsche que, se por um lado fala no super-homem, por outro lado adverte que nossas lentes são fornecidas pela cultura e nossos sentidos nos envolvem na mentira. Ele diz que somos aranhas em uma teia que só apanha o que se deixa apanhar, ou seja, os sentidos captam o que a cultura ensina a apanhar. Podemos vencer o desafio da autonomia?
Enfim...somos causa uns dos outros e talvez a resposta esteja no processo de causação mútua: ou mudamos todos juntos - embora cada um a seu tempo - num processo consciente, ou não teremos mudanças! É bom frisar aqui que as histórias precisam ser entretecidas de forma conjunta - em tempo intemporal.
domingo, 28 de novembro de 2010
Foucault e o poder disciplinar
FOUCAULT - O PODER DISCIPLINAR E A METÁFORA DO PANÓPTICO
O Panoptico no Morro do Alemão: Hoje, 28/11 a televisão mostrou a re-tomada pelo Estado do ponto mais alto do Complexo do Alemão. Da casa que seria de um dos traficantes podia-se ver toda a comunidade, como se a casa fosse a Torre do sentinela e a Comunidade em volta, observada a partir de todos os ângulos, fosse a prisão, numa metáfora do Panóptico, tal qual idealizado por Jeremy Bentham em 1791 e conceituado por Foucault.
Foucault trouxe o conceito de panoptico como uma metáfora do poder disciplinar moderno, que a tudo vigia - não para proteger mas para punir. Para ele o poder é uma técnica, um método que a tudo penetra e que permite o controle do corpo (da pessoa). O poder disciplinar é então uma técnica de distribuição dos indivíduos em espaços; é um controle no tempo e é vigilância e talvez este seja um dos principais instrumentos do poder disciplinar. Foucault diz que o poder disciplinar exige um conjunto de conhecimentos que ao mesmo tempo que exerce poder, produz um saber.
Devemos então nos perguntar: Que conhecimento está na base do poder? Qual o saber que é produzido? Que práticas estão sendo compartilhadas e incorporadas? O que devemos mudar em nós para que as instituições mudem? O que o outro tem aprendido conosco?
O caminho do poder está permeado de relações interpessoais. Em Microfísica do Poder, Foucault diz que as relações de poder são intencionais e não subjetivas, ou seja não resultam da escolha ou da decisão de um sujeito, individualmente. Portanto elas são resultado de práticas compartilhadas, que são aprendidas de forma conjunta. Por este motivo não há nós e os outros. Há apenas nós.
Por este motivo hoje dia 28/11/2010 é um marco em nossa responsabilidade, pois algo deu errado, e sinaliza que pode dar certo, então devemos perguntar: Onde erramos? Onde e como mudar? O que devo mudar em mim? O que devo mudar no meu trabalho? O que devo mudar na minha relação com a comunidade? O que devo mudar na relação com a família?
A esfinge continua em meio à vida trazendo os seus enigmas. Juntos podemos encontrar as respostas, mas só...juntos....sem excluir ninguém!
O Panoptico no Morro do Alemão: Hoje, 28/11 a televisão mostrou a re-tomada pelo Estado do ponto mais alto do Complexo do Alemão. Da casa que seria de um dos traficantes podia-se ver toda a comunidade, como se a casa fosse a Torre do sentinela e a Comunidade em volta, observada a partir de todos os ângulos, fosse a prisão, numa metáfora do Panóptico, tal qual idealizado por Jeremy Bentham em 1791 e conceituado por Foucault.
Foucault trouxe o conceito de panoptico como uma metáfora do poder disciplinar moderno, que a tudo vigia - não para proteger mas para punir. Para ele o poder é uma técnica, um método que a tudo penetra e que permite o controle do corpo (da pessoa). O poder disciplinar é então uma técnica de distribuição dos indivíduos em espaços; é um controle no tempo e é vigilância e talvez este seja um dos principais instrumentos do poder disciplinar. Foucault diz que o poder disciplinar exige um conjunto de conhecimentos que ao mesmo tempo que exerce poder, produz um saber.
Devemos então nos perguntar: Que conhecimento está na base do poder? Qual o saber que é produzido? Que práticas estão sendo compartilhadas e incorporadas? O que devemos mudar em nós para que as instituições mudem? O que o outro tem aprendido conosco?
O caminho do poder está permeado de relações interpessoais. Em Microfísica do Poder, Foucault diz que as relações de poder são intencionais e não subjetivas, ou seja não resultam da escolha ou da decisão de um sujeito, individualmente. Portanto elas são resultado de práticas compartilhadas, que são aprendidas de forma conjunta. Por este motivo não há nós e os outros. Há apenas nós.
Por este motivo hoje dia 28/11/2010 é um marco em nossa responsabilidade, pois algo deu errado, e sinaliza que pode dar certo, então devemos perguntar: Onde erramos? Onde e como mudar? O que devo mudar em mim? O que devo mudar no meu trabalho? O que devo mudar na minha relação com a comunidade? O que devo mudar na relação com a família?
A esfinge continua em meio à vida trazendo os seus enigmas. Juntos podemos encontrar as respostas, mas só...juntos....sem excluir ninguém!
sábado, 6 de março de 2010
Filosofia e Ética
Este blog apresentará algumas discussões sobre Ética, Filosofia e Espiritualidade. Procurarei aqui discutir teorias e conceitos de muitos filósofos e educadores. Trarei também minhas idéias sobre estes campos e buscarei mostrar como ciência, política e espiritualidade (não digo religião) precisam caminhar juntas em sociedade, para que uma nova heterogênese do humano possa surgir a partir de nossas relações, um humano mais solidário, mas afetivo, mais tolerante, mais firme em seus propósitos. Capaz de autoestima e de heteroestima, sem preconceitos.
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