quinta-feira, 21 de julho de 2016

Como juntos podemos pleitear um novo desenvolvimento social, político e econômico?

Estou lendo Edgar Morin em Rumo ao Abismo?
Ele traz um contraponto que precisa ser cotejado junto com conceitos da ONU de desenvolvimento sustentável, propostos em 1972.
"Desenvolvimento sustentável é aquele capaz de suprir as necessidades dos seres humanos da atualidade, sem comprometer a capacidade do planeta para atender as futuras gerações".
Mas quem são estes seres humanos que precisam ter hoje suas necessidades supridas, bem como suas gerações futuras? Me parece, pelo que estou lendo, que são as populações reconhecidas e que hegemônicamente detém o poder, bem como seus descendentes.
O filósofo Heidegger afirma que a origem do que hoje acontece está no futuro, ou seja as populações excluídas têm a percepção do que as aguardam no futuro e que não há desenvolvimento possível para elas, nem hoje, nem no futuro.
Precisamos atender ao apelo filosófico de Heidegger, precisamos repensar a vida no planeta, precisamos de um novo desenvolvimento. Não precisamos de desenvolvimento sustentável, nos moldes do Capitalismo do Ocidente.
Chega de exclusão!
É preciso ler, cotejar conceitos, sem ideologias pré-concebidas. É preciso identificar uma Teoria do Conhecimento em torno deste tema, é preciso perceber os aspectos federativos contidos nos cacos do caos.

A escola laica e o papel do professor na formação de uma pluralidade ideológica

Há uma discussão atualmente sobre a escola sem partido ou sem ideologia. 
Na minha visão de professora, ao aluno deve ser dada a possibilidade de ler vários autores dentro de um tema. Por exemplo ler Marx, Heidegger, Bauman, Freire, Edgar Morin, Touraine, Engels, Sennett, Levy. 
O aluno deve aprender a debater idéias diferentes e aprender a se comportar democratimente no debate. Na sociabilidade surge a mente crítica e a democracia, por este motivo  a plualidade de idéias deve ser o pano de fundo do aprendizado acadêmico. A escola laica, é a que prepara para o exercício da cidadania,para a pluralidade político ideológica e para o surgimento de um Estado laico.
O professor não deve levar sua ideologia para a escola e trabalhar a tudo através do seu viés pessoal. o professor deve construir com os alunos uma Teoria do Conhecimento que permita ao aluno sair da sujeição e da reprodução maniqueísta que o afasta do exercício de uma mente crítica.. 
Cabe - nos levar o aluno a pensar. Estimulá-lo a ler vários autores. E conduzir os debates, guiando-os através de suas leituras. O problema é que as vezes, desculpem - me, o professor desconhece a rica bibliografia sobre um assunto. Não sabe conduzir debates e se perde.
Escola sem ideologia significa escola que ensina a pensar e orienta para alem dos antigos marcos ideológicos pessoais. 
Um dos fundamentos da República Federativa do Brasil é o Pluralismo Político, que simboliza a nossa diversidade político ideológica. O artigo da Constituição Federal nos garante esta pluralidade ideológica, fundamento de um Estado laico. Temos hoje 35 partidos registrados na Justiiça Eleitoral, representando as ideologias que convivem em solo brasileiro. Talvez esta configuração possa ser um exagero.  
Por este motivo, o professor não precisa reduzir a aula a sua própria ideologia, mas deve enriquecer a discussão sobre os assuntos, apresentando as principais versões, teorias, opiniões, ideologias e perspectivas sobre o assunto. 
O Estado laico começa na escola com o professor atento a formação de uma mente crítica.
Como afirma a professora de Teatro Beatriz Nogueira Junqueira "não se deve dar o peixe, mas ensinar o aluno a pescar"

terça-feira, 5 de julho de 2016

Booling com criança não.

E o booling com crianças não cessa. Somos uma sociedade que para crescer precisa diminuir o outro.
Além dos jornalistas José Simão e Ricardo Boechat, hoje me deparo com o booling do caricaturista Chico, no Jornal O Globo de hoje. Todos com a figura do filho do presidente interino Michel Temer.
Não sei porque lembrei de um fato triste que aconteceu com uma pessoa cujo nome não me lembro e que foi torturado pela ditadura junto com seu filho pequenino. Contam que foi terrível o que o menino sofreu. O pai escreveu um livro contando os fatos e lançou o livro. Logo depois o menino hoje um rapaz, suicidou-se.
Não mexa com uma criança, você não sabe o que o seu booling, ou as memórias dos fatos vão fazer com ela.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Eduquemos as crianças para que surja uma relação de gênero menos deturpada.

Minha luta pela educação não é parcial. Por este motivo eu ouso dizer que eu estou na rua "pela educação de todos eles e elas".
Na minha visão as falhas educacionais são de homens e mulheres. Eduquemos as crianças para que surja uma relação de gênero menos deturpada.
Precisamos ensinar aos meninos a serem homens inteligentes, fortes moralmente, corajosos, mas não machistas. Precisamos educar as mulheres a serem generosas, a terem compaixão, a saberem ouvir. Elas não precisam achar que expor seus seios na avenida Paulista é ser independente e autônoma. E depois de cada gênero aprender, poderemos começar de novo e ensinar as habilidades do outro gênero , para que sejamos indivíduos omnilaterais.

Na rua pela educação deles e delas.
Mas estou ciente de que o axioma da educação no atual mundo capitalista é a articulação conjunta do patriarcado e da acumulação de bens. E recorro à História e à Antropologia para defender a minha Tese de união entre capitalismo e patriarcado (fundador do machismo) nas bases atuais da educação . Friedrich Engels em seu livro "a origem da família da propriedade privada e do Estado " mostra que acumulação de bens e patriarcado (fundador do machismo) nasceram juntos.
Portanto se quisermos discutir o patriarcado vamos ter que discutir a acumulação de bens.
Se considerarmos que Engels carrega um tom muito ideológico, podemos optar por estudarmos o assunto em Morgan (1818 - 1881) - que é considerado um dos fundadores da antropologia moderna, que fez pesquisa de campo entre os iroqueses, de onde retirou material para sua reflexão sobre cultura e sociedade.
Não se pode falar em educação sem conhecer a Antropologia que tem orientado nossas escolhas.

Na rua por elas e por eles e por uma educação dos gêneros que ensine a pensar e a pesquisar.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Culturas e subculturas no Brasil

O Brasil é um país de grande diversidade cultural. Temos várias culturas ou subculturas, que são reconhecidas, outras não, mas são culturas dentro da cultura brasileira.
Um exemplo simples: convido os alunos da Unicarioca a lerem de Guimarães Rosa o livro "Grandes Sertões: Veredas" e a fazerem uma resenha. Único romance de Guimarães Rosa, o livro foi escrito contemplando a linguagem nordestina, e se você não é letrado na cultura nordestina, terá imensa dificuldade em ler, entender e resenhar a obra.
Digo isto porque até hoje leio a obra entre espanto e resignação e confesso que teria que fazer um curso de tradução para entender o universo lógico e gramatical do povo nordestino e sua cultura brasileira, tão diferente da minha. Há uma multiculturalidade no Brasil que deveríamos reconhecer.
O interessante na percepção de culturas, não é o número de pessoas, mas os laços racionais que os unem. Por exemplo duas pessoas em pé numa esquina não determinam a existência de uma cultura. Mas duas pessoas confinadas em uma ilha concebem consciente e inconscientemente laços determinantes para a formação de uma cultura. O que os une são as crenças, as lacunas, o conceito idêntico de vida, os costumes, as aspirações e os ideais ou as ausências disto tudo.
Existem muitas culturas ou subculturas na cultura brasileira e é preciso reconhecê-las para que não se isole o que não conhecemos, ou se negue a sua existência, isolando-os para sempre.
Fico com Platão que afirma: " O homem (sic) isolado é um animal ou um deus".
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segunda-feira, 30 de maio de 2016

A educação deve ser OMNILATERAL

De acordo com minha experiência, não há educação unilateral, ou seja a educação deve contemplar a diferença e abrir debates em sala de aula para que todos possam se expressar, socializar idéias e aprender com todos uma nova forma de ser, pensar, conhecer e fazer. A educação deve ser OMNILATERAL
É preciso que todos possamos debater de forma integral que homens e mulheres queremos ser em sociedade.
Trata-se de campo ético. Sócrates - século V A.C. afirmava que "não existe ninguém que tenha a infelicidade como propósito de vida" .

Penso que a tarefa do próximo século, perante a mais terrível ameaça que a Humanidade conheceu, vai ser a de reintegrar os deuses.»
[André Malraux, A propósito do século XXI – L’Express, 21 de Maio de 1955]
O século XXI será espiritual ou não será!

domingo, 22 de maio de 2016

O povo não quer só arte pra ver o artista cantar ou fazer um filme, o povo quer arte pra ver seu filho fazendo um filme

Olha a força política dos artistas brasileiros: conseguiram reverter uma determinação do novo governo.
Então, peço como cidadã que de agora em diante não existam mais subsídios a projetos para financiar artistas para cantarem ou para financiar filmes para atores se promoverem.
Minha sugestão é que artistas e Ministério da Cultura invistam em projetos sustentáveis de arte, levando empregabilidade aos jovens pobres com projetos de cinematografia, circo, cinema, teatro que os ensine a fazer cultura unindo trabalho, lazer e cultura como preconiza Domenico de Mazi. Esses jovens têm tempo livre demais, muito ócio; segundo conceito de de Mazi.
Os jovens estão há muito tempo sem projetos de formação política e cultural. A ocupação é uma forma de inserção na política.


Mas deveriam haver outros projetos culturais como os que citei acima. E os governos não têm olhado por este ângulo. Nenhum deles. Falo porque fiz desta forma e sei que é possível levar a uma reflexão crítica e política, através de trabalho, lazer e arte.  Eu queria ver nossos artistas se envolverem juntos em trabalhos como estes, já que estamos falando de uma cultura na qual há fome, pobreza, uma cultura onde temos pedofilia, tráfico de crianças, uma cultura sexista. Mas este projeto cultural de mudança nas formas de existir em sociedade, dá trabalho. E o principal, olha pra fora, para as necessidades das famílias desabastecidas, olha para as carências da população infantil pobre.
O povo não quer só arte pra ver o artista cantar ou fazer um filme, o povo quer arte pra ver seu filho fazendo um filme, tocando um instrumento, fazendo teatro. O povo quer pão, comida e quer segurança e quer suas crianças em segurança. Arte, conforme estes artistas da atualidade concebem dá, antes de mais nada, dinheiro ao artista e projetos culturais como estes abaixo, dão vida ao povo.

E é uma pena este levante todo dos artista brasileiros  em prol de uma cultura instrumental voltada para si mesmo. Há um outro tipo de cultura  de compartilhamento, na qual se pode  incentivar a empregabilidade de jovens da periferia. Projetos culturais de cinematografia para jovens pobres, por exemplo. E não me digam que é difícil ou impossível. Eu já fiz isto junto com dezenas de professores. E éramos pessoas desconhecidas, sem nenhum subsídio público ou privado, mas éramos apaixonados pela Cultura, Cidadania e Educação.