quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Ética e Responsabilidade Social na Solidariedade Orgânica - Um estudo em Émily Durkheim

Falar sobre Ética e Responsabilidade Social em épocas de Capitalismo chamado selvagem, requer que analisemos os fatos a partir de uma percepção de conjunto. E neste ponto surge o conceito de solidariedade orgânica, que simboliza que todos nós estamos comprometidos ou associados na extensa divisão social do trabalho, ao redor do mundo. 

Por exemplo: Eu não planto café, nem transporto o café para o mercado, nem trabalho no mercado, mas todos os dias tomo café, cujo pó alguém comprou para me servir o café, seja no trabalho, na rua  ou em casa. Este é um pequeno exemplo, mas imagine toda a solidariedade orgânica que envolve o mundo. Dependemos uns dos outros, nesta cadeia produtiva sem fim, ao redor do planeta. 

O sociólogo Émily Durkheim estudou a solidariedade orgânica e a divisão do trabalho ligada a esta solidariedade. Em suas pesquisas verificou que a modernidade nos trouxe uma indústria com muitas tecnologias, o que permitiu que o trabalho se dividisse ao longo de uma cadeia produtiva, que se perde de vista através das Redes e fronteiras. 

A partir deste estudo podemos ir mais longe em nossas observações e análises. Criou-se a terceirização, a quarteirização e os trabalhadores perderam os sentidos do que estão fazendo nesta cadeia produtiva tão complexa. Esta complexidde criou e adensou cada vez mais o que Durkheim chama de anomia, ou seja um trabalho sem o sentido de enriquecer a identidade da pessoa, um trabalho que se funda no lucro, apenas. Vida e trabalho se desconectaram. 

Mas tudo isto não deve ser analisado como uma caça às bruxas, não existem culpas, mas uma cultura capitalista, muitas vezes irresponsável e anti-ética que se dissemina ao redor do planeta .

Convém, neste momento, que cada um de nós faça uma reflexão sobre os próprios atos. 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

QUEM É VOCÊ?

'Você!', disse a Lagarta desdenhosamente. Quem é você?[1]

Eu sou a luz das estrelas, eu sou a cor do luar, eu sou as coisas da vida, eu sou o medo de amar.[2]
Ora, para dizer a verdade...
Quem sou eu e quem é você? Nessa história eu não sei dizer. Mas, eu acredito que ninguém tenha vindo pro mundo a passeio[3].

Sabe, a verdade é que...
É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo...
Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar. Não me deem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre[4].

E você? Quem é você? Já parou para pensar nisso?



[1] Trecho de conversa entre Alice e a Lagarta do livro ‘Alice no país das maravilhas’, de Lewis Carroll.
[2] Trecho da música ‘Gitá de Raul’ Seixas e Paulo Coelho.
[3] Trecho da música ‘Rock Estrela’ de Léo Jaime.
[4] Poesia de Clarice Lispector extraída do livro ‘PERTO DO CORAÇÃO SELVAGEM’.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Um filosofia na Síndrome de Asperger - a natureza humana apresenta uma outra forma de existir na vida

Uma descoberta que vale uma pesquisa mais aprofundada é sobre a Síndrome de Asperger, que causa deficit de atenção, déficit de interação e comunicação, tanto a verbal como a não verbal.

Trago a filosofia do cotidiano, a ser descoberta fenomenologiamente no ato de viver.  Meu filho tem síndrome de Asperger e no dia a dia até a data, na interação social, comunicação e atenção vive uma realidade muito particular, no silêncio de sua forma de viver.

Neste fim de ano, no entanto, ganhou um celular de plataforma Android e um Tablet e através destas interfaces que conectam-se às mídias sociais, vem demonstrando que estes recursos imprimem um ganho de interação, comunicação e atenção,  uma extensão nova, uma nova capacidade, cujos efeitos merecem ser pesquisados e entendidos.

Fico por aqui, por enquanto....

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Rosiska Darcy de Oliveira - O novo atrapalha a Teoria

Rosiska Darcy de Oliveira é um nome importante em uma Filosofia do pensamento, para fecharmos o ano de 2013. Darcy de Oliveira foi casado com ela.
Gosto de ter acesso aos seus escritos e filosofar com os seus pensamentos:
 É difícil entender o novo. O novo atrapalha a teoria, diz Rosiska.
Realmente a pós-modernidade não comporta Teorias, só conceitos podem ser debatidos buscando se costurar alguma visão do cotidiano. Alan Touraine fala no fim do social e o surgimento de uma nova forma de conviver mais comunitária.
Rosiska arrisca um esboço do futuro, quando mostra o jogo perdido dos partidos que se conectam à tomada do poder, enquanto a palavra emblemática hoje, remete a um exercício democrático em que o poder é relacional e se distribui em múltiplas redes de participação.
Ela fala de uma cidadania em um Estado virtual sem fronteiras, que se estende nas veias telemáticas da Internet, demarcando o facebook como um “aparelho” ubíquo, que está em todos os lugares ao mesmo tempo.
A rede traz uma cultura global contemporânea e as Teorias são tecidas todos os dias porque na Rede não há uma cepa predadora. O que se aprendeu hoje, amanhã ganha novos contornos, porque novos atores entram em cena, numa teleologia cuja finalidade é questionada todos os dias. Não há limites ao pensamento, talvez por este motivo possa-se trazer Marx: Tudo que é sólido se desmancha no ar.

Talvez possa-se trazer Nietzche  que afirma a morte de D’us,  Mas em Rosiska a comparação com Nietzche não se dá por uma questão de negação da espiritualidade, nem como crítica à falsa sociabilidade.  Há aqui uma questão de lógica do pensamento, que,   na pós-modernidade deixa de ser dogmático e aceita novas explicações para a vida, para a política, para o amor. Esta abertura do pensamento permite expressar-se em novas nuances, num amplo espectro de cores, através das Redes Sociais.

A Democracia está sendo questionada e a Fenomenologia provavelmente é a metodologia mais adequada para acompanhar o novo que desconstrói as Teorias montadas e remontadas pelos políticos e partidos que não percebem a ubiquidade da Internet e tentam compreender o novo com  suas ferramentas de pensamento, antigas. 

Eles querem seguir sem serem  incomodados, mas só há um detalhe: "o Novo atrapalha a Teoria".  

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A sociedade está no indivíduo e o indivíduo está na sociedade - Mas esta relação funciona?

A relação sociedade-indivíduo significa que os valores que estão vigentes formam a mente do ser humano e, dentro desta premissa, todo o seu raciocínio recebe influências dos valores, das crenças que conformam a sociedade. Ou seja a mentalidade do indivíduo é social,  assim não é o sujeito que é escravista mas a sociedade que o educou.

Dentro deste pensamento no entanto, cabe uma reflexão, pois o indivíduo também forja a sociedade em que vive. Um exemplo desta relação podemos ver a partir do momento em que a sociedade, por questões econômicas deixou de ser escravista. Não foi uma opção moral, nem ética dos grandes empresários. É certo que havia um clamor no mundo sobre a igualdade, fraternidade e liberdade, mas foram os novos paradigmas econômicos que empurraram a sociedade para as novas fronteiras de "liberdade" (?!).

Como não foi uma reforma mental ética, podemos afirmar que hoje a sociedade deixou de ser escravista, mas uma grande maioria de indivíduos continua submetendo muitas pessoas aos seus preconceitos, sujeitando pessoas, escravizando de outras formas, pelo salário, pelo apadrinhamento de amigos, em detrimento da competência, explorando a seu bel prazer a condição humana, a partir de todas as formas de preconceitos, identidades, diferenças e sujeição..

O indivíduo pode mudar a sociedade em que vive, mas é preciso que se continue a lutar por uma reforma mental, a partir de uma ética que se incorpore em todas as estruturas sociais e mentais. Mas isto leva tempo, no entanto dar o primeiro passo é mais da metade do caminho.

Dentro desse contexto, fico com a frase do poeta:  Viver em sociedade sem desenvolver senso de humor, é ruim, mas é pior viver numa sociedade em que se tenha de ter senso de humor para viver.

sábado, 30 de novembro de 2013

A Sociedade individualizada em Bauman e o fim do social em Alain Touraine

Zygmunt Bauman e Alain Touraine vêm estudando as implicações dos novos paradigmas da Pós-modernidade na formação social. Bauman fala da sociedade individualizada e Touraine fala do fim do social e da gênese de uma sociedade cultural.

Trazendo para o plano prático, a Pós-modernidade está aqui e agora espalhada por todos os lados e um dos exemplos  que facilita visualizar o que os autores vêem falando, são os aplicativos para chamar táxi pelo celular.

Na Modernidade era importante a formação de cooperativas de táxi que capacitavam os sócios para criar um coletivo que  partilhasse das mesmas idéias. A cooperativa formava um conjunto social, no qual a ênfase era na formação do taxista na solidariedade, cooperação, aprendizagem conjunta e ética do bem comum, que destaca o outro na nossa vida.

Na Pós-modernidade, hoje, os aplicativos de celular evidenciam não uma cooperativa de táxi, mas uma Rede, onde o participante não forma um conjunto social com os seus vizinhos. Cada taxista tem que ter uma documentação completa, uma formação adequada e sua avaliação é feita individualmente pelos clientes. É o fim do social realmente e o surgimento da Rede, que é um fenômeno cultural, formando uma sociedade de indivíduos, que em Rede não têm participação na vida uns dos outros.

A luta é individual e na Pó-modernidade exige-se uma formação cada vez mais individualizada, mais complexa, em nível cultural, evidenciando uma sociedade onde a tecnologia em Rede junta o que está separado.  Dá-se o surgimento de uma Ética  individual, sobre a qual não se tem ainda vivência sobre o tema e muito menos uma Epistemologia que nos permita  elaborar uma Teoria do Conhecimento.

domingo, 17 de novembro de 2013

Nietzche e o Super-homem II

Em NIETZSCHE E O SUPER HOMEM comentei que para Nietzsche o super-homem é o indivíduo que criou seus próprios valores afirmativos da vida, que não é condicionado pelos hábitos e valores sociais de uma época. Para aprofundarmos nossas reflexões teremos que nos apoiar em Bakhtin  (1895 - 1975) que foi um linguista russo  para quem “a palavra é uma ponte entre mim e o outro". Mas o que seria esta ponte entre mim e o outro? 
Quem sabe o super-homem  não seja o construtor de pontes, com o seu  salto inesperado, inovador vivido por alguns e depois copiado, vivenciado e humanizado por muitos, num ciclo que se repita ad eternum?
Quem sabe se em cada ciclo, em cada novo paradigma não haja um super-homem tecendo sua teia e se lançando no salto? Salto que depois é mimetizado por muitos? 
Então, talvez haja a utopia do apogeu do super-homem, quando todos chegarmos - pela convivência - ao UM.
(em resposta a Peixoto, sobre a utopia do apogeu do super-homem, em 17/11/2013)