quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A razão é histórica - Monteiro Lobato - Vinícius e tantos outros


Recentemente Monteiro Lobato foi proibido de ser lido nas escolas. Esta proibição se deu porque algumas poucas pessoas clamaram que Monteiro Lobato era um preconceituoso. O texto que foi demonizado definia Tia Anastácia como uma macaca subindo na árvore. Acredito que, se Monteiro Lobato escrevesse hoje - escreveria de outra forma. A razão - hoje- o faria empregar a palavra de uma forma mais cuidadosa, e sua linguagem seria mais amorosa e mais delicada.Creio que as pessoas esquecem de que a razão é histórica e a Inteligência é coletiva e isto significa que o ser social em cada um de nós tem a voz do nosso tempo. Hegel - filósofo alemão do século XIX - tem razão, quando afirma que a razão se transforma na história.

Por que não foi demonizado Vinícius de Moraes? Com a letra abaixo:

Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza,
Qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora,
Qualquer coisa que sente saudade.
Um molejo de amor machucado,
Uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher,
Feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor
E para ser só perdão.

Os pais das crianças cantam vinícius. Os jovens cantam Vinícius. Vamos demonizar Vinïcius? Que insistiu em resgatar a mulher Amélia? Talvez hoje ele não escrevesse este poema. Não sei. Mas não vi nenhum movimento para retirar esta música de cartaz. Será que o motivo é que a nossa sociedade é fortemente patriarcal? Misógina? Racismo ou misoginia, que preconceito vai ganhar?

É preciso ter cuidado, pois este movimento de demonizar Monteiro Lobato impediu que se levasse para as salas de aula uma discussão do conceito de razão, historicidade e de se discutir o preconceito como uma marca social, mais que individual> Nossas crianças e jovens merecem mais respeito com sua inteligência. E nossos professores merecem  mais oportunidades de discutir a literatura e linguagem no tempo e no espaço.

E nem falo de Francisco Alves, que nunca foi demonizado e nem estudado, e que fazia toda a sociedade brasileira cantar as suas músicas. Uma delas dizia:
"Enquanto eu tiver forças para falar, olhos para ver hei de ter opinião, não é qualquer mulher que consegue dominar o meu coração. O tipo louro é um tesouro, mas perto do moreno é café pequeno...".

Se você quiser saber o finaL dessa música, faça uma busca na Internet pelas letras de Francisco Alves e veja a letra 216, chamada Tipo Sete.
http://www.radio.uol.com.br/#/letras-e-musicas/francisco-alves/1797

A razão é histórica e devemos aproveitar estes exemplos para ensinar e aprender. É preciso ter cuidado porque preconceito leva a preconceito! E onde impera o preconceito, racismo e misoginia florescem.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O Ciclo da Aprendizagem - O grupo como matriz do indivíduo


O grupo é a matriz do indivíduo, porque é a partir da socialização que o sujeito desenvolve a sua forma de pensar, num amplo espectro de percepções, que permite ao ser humano ampliar seu ponto de vista sobre as questões. É justamente por este motivo que a atenção do líder tem que se voltar para o grupo, para perceber o que está sendo aprendido na troca de conhecimentos, no diálogo, na conversa.

Se quisermos solucionar problemas temos que voltar a nossa atenção para o grupo e captar como as pessoas se comportam quando interagem. desta forma vamos perceber habilidades, limitações e problemas que não perceberíamos se observássemos a pessoa  individualmente.

Um bom líder volta-se para o grupo e percebe o que não está sendo dito, capta os silêncios e estimula o diálogo - o processo de socialização de experiências pode criar uma lente especial, para dar sentido ao trabalho que está sendo realizado.

O espírito comum no grupo é obra de um líder capaz de ouvir, de dar voz a todos e de fazer com que todos se expressem, com confiança, sem receio de retaliações.

O Professor Paulo Freire fala, com muita propriedade, em ciclo gnosiológico, retratando no ciclo do conhecimento um fenômeno, a partir do qual o indivíduo enxerga o que antes não via. Podem ocorrer dois cenários: o indivíduo enxergou e sabe que é melhor ficar quieto, para não se indispor e se prejudicar ou o indivíduo enxerga e aprende com o grupo e desenvolve melhor o seu trabalho. Um líder tem obrigação de perceber qual dos dois cenários manifesta-se a partir de sua orientação pessoal. Nada acontece por acaso - o líder tem que se comprometer com o que acontece a sua volta, tem que se comprometer e dar sentido ao trabalho de cada um que trabalha sob sua direção.

Michel Serres em seu livro “Filosofia Mestiça” descreve o processo de aprendizado como a travessia de um grande rio no qual a transformação vai ocorrendo nas descobertas e nos enfrentamentos da busca pela outra margem. Quando nasce o espírito comum, o  grupo se fortalece e cada um recebe esta força. A questão aqui reside em saber: este espírito comum - ira, descaso, silêncio, medo, violência - surgiu como resposta à exclusão, às injustiças? Ou se ele surgiu como resposta a um esforço ético coletivo - diálogo, solidariedade, compreensão, bem comum - para viver o sentido de uma vida plena, de um trabalho repleto de significado?

O que impera no grupo:  autoritarismo ou democracia? As pessoas falam ou têm medo? As pessoas se expressam e contribuem com confiança? Liderança e democracia estão inextricavelmente conectados, provavelmente porque tanto um quanto o outro necessita do diálogo para crescer. 

Um líder autoritário enfraquece o Eu individual e o Espirito comum tem sua força moral fragilizada - neste caso o coletivo é pobre e volta-se para interesses pessoais -  o crescimento moral não acontece e como retratou o filósofo Tucídides ao escrever sobre a Guerra do Peloponeso - o bem comum fracassa imperceptivelmente.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Da Capo - Conhecimento inato e adquirido


Da capo significa de volta ao início - significa repetir

As tradições filosóficas e místicas ensinam a desenvolver a capacidade de se ir além do conhecimento que se tem, ir além da força moral que se possui, estimulando a construir um caminho novo sobre o antigo caminho  já trilhado.
 É o Ponto de Mutação. E neste retorno sobre os próprios passos, qual conhecimento deve ser levado na bagagem? Inato ou adquirido?
O que a tradição ensina é que quando estamos em situações nas quais não sabemos como agir, o que falar, o que fazer devemos acionar este espectro de forças acumuladas que desconhecemos - mas que a fé e a razão nos ajudam a perceber –  chaves muito importantes e que devem ser estimuladas e vivenciadas  ao se  meditar sobre as repetições de padrões na nossa vida. 

Esta repetição de padrões dá-se na experiência do dia a dia - é o lado empírico da vida. Mas cada um de nós tem acesso a um conjunto de forças pessoais e outras tantas atávicas ou instintuais - mas que devemos acessar se quisermos mudar o cenário de nossa v ida.
o Mito de Sísifo é um Da capo. As experiências repetidas também o são. A possibilidade de refazer caminhos também. Cada dia que começa é uma nova promessa ...Da Capo! E que  se leve na mochila as duas maneiras de empregar nossas forças:  o conhecimento inato e o conhecimento adquirido.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Somos clinámem uns dos outros? Epicuro e o conceito de sociedade como clinámen do indivíduo


Clinâmen é um conceito central na doutrina atomista de Epicuro (filósofo pré-socrático) e simboliza o desvio imprevisível de átomos, cuja representação é a queda aleatória dos átomos, que no choque entre si, mudam suas trajetórias.  O nome foi aplicado por Lucrécio,  poeta e filósofo latino que viveu no século I a.C -  ao estudar a doutrina atomista de Epicuro. De acordo com Lucrécio, o desvio imprevisível ocorre "em nenhum lugar ou tempo fixo": Significa  que "quando átomos se movem (..) no espaço em um tempo completamente incerto e em lugares incertos", (...) a natureza se reproduz. Este desvio imprevisível e o choque mudam trajetórias e simbolizam uma mudança de mentalidade - uma nova visão - é isto que se chama clinámen. O Clinámen simboliza o sol surgindo no horizonte ou o seu oposto - o imenso espaço vazio sem luz e sem cor. Passar por este fenômeno não é simples e é necessário resistir  - é preciso contar com algo que não vemos - a espiritualidade - e aprendermos a conjugar razão e fé.

Na vida em sociedade, de uma forma às vezes imprevisível, nos conhecemos, nos relacionamos, e às vezes algo ou alguém nos faz mudar a trajetória. A sociedade é clinámen do indivíduo. Nossa história é uma história de conjunto. O mundo físico nos mostra cadeiras, salas, pessoas, paredes, mas no mundo sub-atômico o cenário se apresenta em um efeito de prótons e elétrons, numa teia conectada - um fio de Ariadne que a tudo conecta.

Não importa a partir de qual conhecimento você tece suas considerações:  Se você usa a espiritualidade existem milhares de exemplos conclamando você a uma percepção de conjunto. Mas se você é um cientista, certamente sabe que a sociedade está dentro do indivíduo como um fato social (Durkheim) e que o indivíduo está em sociedade, transformando, mudando as pedras de lugar, mudando o desenho.


E seja pela espiritualidade ou pela ciência - recebemos de volta o que entregamos à natureza. Gurdyeff, um filósofo russo dizia: "Se você ajuda os outros, você será ajudado. Talvez amanhã, talvez em cem anos, mas você será ajudado. A Natureza precisa saldar a sua dívida... É uma lei matemática e toda a vida é matemática".


Na  metáfora de o poema "O Relógio de Acaz" há uma representação dessa clinámen, dessa conectividade, desta responsabilidade conjunta...desse retorno.

O Relógio de Acaz

A verdade meu amigo não se espante,
É uma obra de Ariadne, em tênue fio. 
Toda Vida, todo tudo neste mundo
Está coeso, num mistério tão profundo,
Que entender este desenho é um desafio.

Quem tece o fio de Ariadne que se esconde,
E serpenteia para além de nem sei onde?
Se o que eu faço ou não faço, é uma engrenagem,
Que arrasta a consciência em torvelinho,
Quem cria a tudo num roteiro mais profundo,
Que a tudo une, em aparente desalinho?

Transmutar a engrenagem com ciência,
É perceber que entre o caos e a coerência,
A vida cria nossa vida deste fio.
Então vale a pena caminhar com mais cuidado,
Ao conceber um novo filme desta história.
E que os anjos nos concedam tal vitória!

E um dia....
Frente a frente à Grande Luz,
Guardadora dos portais do paraíso,
Cada um vai contar a sua história,
Computar aprendido e ensinado
E retornar, apagando da memória,
Retrocedendo os dez graus já declinados!
(Regina Moraes - 2006)

domingo, 15 de julho de 2012

Comentando meus Demônios de Morin - Uma dialógica permanente entre fé e ceticismo - misticismo e racionalidade

As contradições fazem um trabalho progressivo, tanto na ordem do intelectual, como na dimensão do espiritual e isto demarca a forma de ser - e falo como Morin: "o pensamento que vive é aquele que se mantém à temperatura de sua própria destruição"  E como Morin, não acredito e nem procuro mais por uma ética fundada em uma filosofia totalizante - essa solução está abolida da minha forma de pensar. Mas pago o preço do antagonismo pelas altas temperaturas a que submeto tudo o que penso.

A ética não pode ser uma ilha que me afaste do outro, devido a uma assepsia moral. Daí é que a ética se deslocando da cultura assume uma forma mais fluida. É o que Morin chama de auto-ética, que se funda apenas nela mesma, na fé no amor, na solidariedade, na compaixão, no perdão e na redenção. Mas Morin fala exclusivamente na redenção do indivíduo, e diz que não mais acredita em redenção coletiva.

Diferente de Morin, minha auto-ética se funda na crença da redenção coletiva, pois não acredito em redenção individual sem a presença imperceptível de um risoma coletivo, que marca no ser individual "o sou porque somos". 

Abraço - como Morin -  a ética da compreensão, mas parto de uma contradição individual / coletiva que me consome e lembro de duas antigas histórias: 

a) A dos monges que seguiram por um caminho individual para chegar ao Paraíso. Caminharam muito e cansados da jornada fatigante chegaram às portas onde querubins se postavam como guardiões e diziam a todos que chegavam: "Vieste sozinho? Volta e traz contigo o teu povo.

b) A outra história é uma antiga parábola que fala de um assassino que estava sendo julgado pelos seus crimes e do trabalho de dois anjos de D'us, que a mando do Rei dos reis tinham como missão - cada um deles - acusar e defender o homem. E ao final do julgamento, o lado para o qual pendesse a balança mostraria o resultado de todo o processo.
Iniciado o juri, o anjo acusador colocou na balança todos os crimes hediondos deste homem e a balança pendeu até o chão. O anjo defensor então, colocou na balança uma ação de salvamento que o assassino havia empreendido, ele colocou a moça que o assassino salvou num dia, quando a carruagem dela despencou no abismo, devido à grande chuva. Com este ato do anjo defensor, a  balança pouco se moveu. O anjo então - em uma nova estratégia de defesa - colocou na balança, a carruagem e os cavalos que a puxavam e a balança cedeu bastante, mas guardava ainda muita diferença. Então o anjo da defesa numa atitude final,  colocou no prato da balança a lama da estrada por onde homem passou e neste momento a balança se equilibrou. A mais alta Espiritualidade então,  deu o perdão ao espírito do homem assassino, porque percebeu no ser daquele homem a marca profunda do "sou porque somos' - e seria preciso então, condenar uma sociedade inteira.

Na dialógica entre razão e espírito; entre ceticismo e fé, minha auto-ética  me leva a afirmar que só uma auto-ética que traz  o outro em sua lógica, uma ética que perceba a sociedade no indivíduo e o indivíduo em sociedade,  só esta ética pode fundar as ações para uma condenação / redenção individual  e coletiva.


(livro: Edgar Morin-  Meus Demônios - Bertrand Russel, 2010).

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Caminante no hay camino, camino se hace al andar



Nesta etapa do capitalismo, o paradigma que sustenta a pós-modernidade fala em destino individual, convida o ser humano a ser empreendedor de si mesmo, a ser competitivo, a buscar desenvolver suas habilidades de acordo com as tecnologias do Mercado. Ele não convida a desenvolver suas capacidades e habilidades morais. A orientação é  tecer uma Rede de contatos e se integrar a ela. Mas tudo muito superficial, pois o destino é individual.

Há  uma discrepância nisto tudo, pois a mente é social – não há destino individual. Não é verdade. No entanto o Capitalismo avançado precisa de novos emblemas e não quer perder. E o que ele diz é o seguinte:

“Olha, é você quem não consegue se empregar, sabe porque? Porque não é competitivo; porque não aprendeu a tecnologia XYZ; porque não fala 3 línguas. A culpa é sua, de estar se excluindo deste Mercado. Seja competitivo, desenvolva as suas capacidades intelectuais;crie a sua Rede de contatos;  aprenda as novas ferramentas. Torne-se um empreendedor de si mesmo”

Tem alguma coisa errada nesse discurso: primeiro ele quer ser hegemônico; segundo não considera a biologia da mente, pois somos animais sociais e o nosso aprendizado é colaborativo - nosso destino é coletivo, o que convoca a uma moral voltada para o humanismo, a solidariedade, o respeito mútuo e vida conjunta.

Precisamos nos desenvolver intelectualmente, dominar sim as tecnologias do nosso tempo, mas durante todo o processo de apropriação tecnológica,  precisamos repensar qual é o nosso papel  nesse tipo de  sociedade e não podemos fazer isso como simples usuários; temos que ir além  e nos projetarmos como sujeitos que se apropriam do seu tempo  para produzir novas significações, um novo roteiro, um compasso novo, que nos seja próprio – criado na inter-subjetividade. Qual o caminho que devemos seguir então? Como desenvolver as máximas habilidades e competências éticas e morais – junto com as habilidades técnicas?

Parafraseando Edgar Morin[1], digo que o que constitui a caminhada são os ciclos de travessia dispersão/concentração e o que traça o caminho é a caminhada: “Caminante no hay camino, camino se hace  al andar” [2] .


[1] Edgar Morin, Meus demônios, Bertrand Russel, página 187,  2010
[2] Antônio Machado

sábado, 23 de junho de 2012

As dores de Géia no parto do Humano e do Rei


Do alto de Sião em mim mesmo,
Lá onde as escadas permanecem vivas,
Eu vejo a vida surgindo, A Noiva...
A procurada...
Cidade-luz conforme prometida,
Pronta para ser colhida e pronta para ser amada,
Sem fronteiras,sem barreiras,
UNA, verdadeira,
Mente Perfeita!

E no mistério da comunicação dos idiomas,
Um anjo se aproxima e enuncia o tempo oportuno,
Mas o gesto ainda se perde no eco do silêncio dos corações mudos.

Então eu olho, perscruto, rebusco e me assusto,
E pressinto chegar a derradeira hora:
Corro ao centro da luz e caio ao chão, presa às correntes,
E beijo o pó da minha terra,
E meus pés se enlaçam no aqui e agora,
Em meio ao letárgico sono, à fome e à miséria,
Em meio à guerra
Em meio ao profundo caos em que jaz meu  coração em meio às gentes..

Então eu subo, ali onde as escadas permanecem vivas,
E verdadeiras,
Ao alto de Sião, monte em mim mesmo.

E do mais profundo abismo de minh´alma permanente,
Eu choro a vida e a morte que mistura os bons e os maus
Na seiva-luz desta única videira.
Ali onde o anjo em sua carruagem –
Merkabah dourada que reluz,
Anuncia o nascimento do Messias em meio ao caos,
E cruza o céu – a Merkabah – de oriente a ocidente,
Confirmando o acordo permanente em miríades de luz!

E entre um vazio vago na alma e a plenitude do SER total,
Nas dobras da verdade, eu percebo este reino abissal.
E me pergunto e me confundo:
D'us mora aqui neste mundo?

Então eu acordo do sono letárgico, que traga,
Esgota e embrutece
E surjo Alma plena e verdadeira, a Esposa
Amada e procurada,
A Malkhut, a Noiva,
E visto o manto nupcial que a vida com mãos ocultas ainda tece.

D'us mora aqui? Pergunto às três Moiras de dentro de mim:
A violência, a fome, a miséria sem fim.
E as guerras dizem que não. Os Horrores!
Mas o amor, a esperança, o sol e as flores,
A cachoeira, o oceano, a terra, o Sol e a Lua
Dizem que sim,
De dento de mim!

Eu olho a tudo num silêncio mudo,
E engulo num sopro a Vida: o bom e o mau,
E gesto no meu ventre novamente Tudo!

E num grito de dor, ressurjo do nada,
Refazendo o acordo.
Ergo a pedra e confirmo a Noiva,
Que dia após dia vai parindo um  Novo Humano.
Na dor, na chaga antiga,
Refazendo atomicamente a velha alma ferida,
Tornando Rei  a  parte  humana,  mais divina,  deste povo!

                                                                    (Regina Moraes)