terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A vida é como uma clinámen - Viver não é preciso

Fernando Pessoa afirma que "Navegar é preciso, viver não é preciso".


Realmente viver não é algo preciso, pois a cada passo que damos, cada ação que empreendemos, cada encontro que temos, muda o que chamamos de destino. 


Epicuro, um filósofo pré-socrático, usa o termo clinámen para indicar as mudanças de trajetórias dos átomos quando se encontram no espaço e se chocam. Podemos dizer que algo semelhante acontece com os humanos, cada pessoa influencia outra, numa rede interminável, que se iniciou em algum ponto do passado e cujos os nós são tecidos de uma forma desconhecida e intrigante, num jogo de experiências.


Viver tem muito de inesperado, nada é preciso, no entanto é fundamental preparar-se para a vida, reunindo em sua mochila o que você vai precisar para o caminho que quer empreender. Ou seja viver não é preciso, mas você precisa se preparar.  É diferente de navegar, pois no mar, o marinheiro com os instrumentos, certamente vai chegar às novas terras, cujo mapa tem nas mãos.


Então: Para navegar é necessário precisão, mas para viver é necessário fé, intuição  e planejamento e, segundo Fernando Pessoa, é necessário "a santa conversação com o anjo da guarda". 





terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Uma entrevista com 4 personagens - em um tempo intemporal


E à mesa onde estavam Clarice e Fernando chegaram mais dois convidados. E eu continuei a entrevista, agora com meus quatro personagens:

Eu: Como vocês se descreveriam hoje?

Clarice Lispector: Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. 
Sou irritável e firo facilmente. 
Também sou muito calmo e perdôo logo. 
Não esqueço nunca. 
Mas há poucas coisas de que eu me lembre.

Fernando Pessoa: Eu sou uma tela em branco e oculta mão colora a vida em mim!

Carlos Drumond de Andrade: Quando nasci, um anjo torto, 
desses que vivem na sombra  disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. 

Adélia Prado:  Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.  Mulher é desdobrável. Eu sou!




terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Diálogo imaginário entre Cecília Meireles e Fernando Pessoa - Um aspecto lúdico da Filosofia

 Um diálogo imaginário entre  Cecília Meireles e Fernando Pessoa: 
                                                                                  
Como se renovar em 2012?

Cecília: "Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado, 
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo".

Eu: Mas como posso aprender a esquecer de colher? Como desenvolver este altruísmo e deixar para lá?

Fernando: "Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas,
O resto é a sombra
De arvores alheias.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Cecília Meireles já dizia - Nem tudo é fácil....

Nem tudo é fácil (Cecília Meireles)

É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste. 
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia. 
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua. 
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo. 
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar. 
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo. 
Se você errou, peça desculpas... 
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado? 
Se alguém errou com você, perdoa-o... 
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender? 
Se você sente algo, diga... 
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar 
alguém que queira escutar? 
Se alguém reclama de você, ouça... 
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz? 
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível 
Precisamos acreditar, ter fé e lutar 
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos, 
realidade!!!





Faço meus os votos de Cecília Meireles para todos: Que em 2012 nossos desejos se tornem realidade!

sábado, 31 de dezembro de 2011

Clarice Lispector - Signo e inspiração


Seja sobre Filosofia ou Espiritualidade, aprendi que o ideal é penetrar no signo e deixar-se inspirar pelo sentido ali guardado. Faço pois minhas, as palavras de Clarice Lispector:

"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento".

Feliz Ano novo! Feliz 2012!


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Clarice Lispector e Cecília Meireles - liberdade e consumo


Duas grandes escritoras brasileiras falaram sobre liberdade de forma emocionante, caracterizando a essência do signo:


Liberdade - essa palavra,
que o sonho humano alimenta:
que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda!
(texto extraído do livro "Romanceiro da Inconfidência", de Cecília Meireles, Editora Letras e Artes - Rio de Janeiro, 1965, pág. 70,) 


Mas ...entendi o que significa consumo  -  como drama social   -  lendo as palavras de Clarice Lispector sobre liberdade:  

"Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome. "

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A arte da liderança - O mito de uma nova heterogênese do humano

Cada pessoa, cada grupo, cada Comunidade emerge através do relacionamento social, num processo de aprendizado recursivo, que na convivência lança pontes sobre diferenças, possibilitando a cada um recolher talentos, potencialidades, forças desta convivência coletiva. O grupo alimenta o ser de cada um, fornece as chaves para se entrar e reentrar na vida, sempre apontando para as novas possibilidades de aprender.
A arte da liderança remete antes de tudo e ao mesmo tempo a aprender a viver junto, a aprender a interagir, a ser como queremos que os outros sejam, a nos relacionarmos como queremos que se relacionem conosco. A arte da liderança exige que não sejamos fantoches uns dos outros, pois se agirmos e reagirmos em função de como nos tratam, onde fica a nossa autonomia? Devemos ser assertivos, gentis e firmes quando nos relacionarmos uns com os outros, sempre visando o bem comum, na construção deste espírito de grupo, que fornece as forças para vencer os desafios.
Tudo isto nos traz a percepção do que somos capazes como mulheres ou homens, atuando em grupo e do que será importante fazer para desenvolver esta visão de equipe, de grupo.  O espírito da liderança é tecido com este fio, que brota das mãos de cada um e pode aprisionar num estilo autocrático ou pode libertar e transformar pessoa e caminhos se for uma liderança democrática participativa. 
Não existem escolas, nem caminhos prontos, este espírito coletivo que alimenta cada um, nasce da decisão de se tornar um indivíduo e possui ligações e interconexões que partem de nós mesmos e lançam fios com o todo.
Política, espiritualidade, vida social e trabalho são rizomas distintos que se enlaçam e não há uma cepa predadora, quando a destruição existe é porque o ser humano teceu uma visão individualista da vida e do outro.  Na presença de uma visão egoísta, o grupo pode gerar um espírito frágil que não sustenta nem alimenta. Mas a teia coletiva está apta a gerar um espírito fortalecido.
Imbricado a estes rizomas, o ser humano prepara-se constantemente para a gênese de si mesmo, nascendo a cada dia,   descobrindo-se nas lições do “você existe em relação”, “nada existe em separado”, “qualquer coisa existe sempre em conjunto”. Não se pode separar o indivíduo da experiência deste inter-relacionamento, pois o ponto de vista individual surge da experiência de grupo e se quisermos mudanças no espírito coletivo do grupo, teremos que apreender delicadamente os outros pontos de vista,  que se criam no processo participativo do grupo. A arte liderança significa o desenvolvimento de uma visão fundada num novo individualismo,  onde o individual é percebido como centro de forças  da vida coletiva.  
Precisamos de novas crenças, novos valores, um novo espírito, que leve a perceber que esta força encontra-se latente no grupo e que é ela que pode levar em direção a esta nova fronteira. A vida em grupo é a gênese das capacidades do ser humano, parteja nossas verdadeiras pessoas, liberta as aspirações mais profundas e deflagra a energia necessária para preencher a vida e multiplicá-la.
Estas forças do grupo criam o indivíduo e a sociedade ao mesmo tempo. Dentro deste contexto o indivíduo se forma, aprende a enfrentar contratempos, adquire a capacidade de recuperação, ultrapassa as adversidades e aprende com elas. Nesta aventura o indivíduo busca o pote de ouro que está no final do arco-íris, numa busca incessante. Em verdade está buscando a si mesmo, pois a cada interação apura o seu ser.
O indivíduo deveria se fazer sempre as seguintes perguntas: O que mudou em mim na convivência com estas pessoas? O que aprendi com elas? O que elas aprenderam comigo? Mudaram na convivência comigo? Estas são perguntas que deveríamos nos fazer sempre. Qual a contribuição mútua nos grupos aos quais pertencemos?
O domínio sobre si e sobre as situações é uma decisão  que implica na responsabilidade de escolher um caminho, no entusiasmo de redefinir horizontes e desafios e no encantamento de descobrir as novas possibilidades  que se escondem nesta incrível aventura social do ser humano no Planeta Terra. 
O mito da criação do ser humano denota em suas entrelinhas  que se precisa do outro para dar vida a essa aventura, que depende  de dois ou mais indivíduos e que necessita do espírito comum, o espírito do grupo, para que as idéias não se dispersem em direções diferentes, mas se transformem em força criativa e construtiva.