sábado, 11 de junho de 2011

Café Filosófico com Paulo Freire

Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes.


Esta frase de Paulo Freire fornece a profunda dimensão do conhecimento e do papel do outro na nossa vida e em sociedade. As nossas convicções não podem nos levar por caminhos que nos levem a não reconhecer o outro. Pelo contrário, reconhecendo-o em suas idéias, podemos crescer, aprender e se formos amorosos poderemos impedir que erros sejam cometidos. É apreciando o saber do outro que podemos ser justos e verdadeiros e encontrarmos as soluções que confrontam o nosso tempo.


As terríveis conseqüências do pensamento negativo são percebidas muito tarde (Paulo Freire).


A recomendação é caminhar com cuidado, percebendo o que está a volta. A palavra de ordem é "devemos perceber o pensamento negativo em nós mesmo e no outro". Esta arte está  disponível dentro de cada um de nós. Mas para isso temos que observar, nos incomodarmos com o outro, percebê-lo, perceber a nós mesmos e isso exige reflexão. É urgente perceber o pensamento em si mesmo e no semblante da pessoa, pois o que você responderá diante da esfinge que pergunta: Que consequências podem advir deste pensamento negativo? 
E não importa se é seu ou do outro. Esteja atento! Disto depende a vida.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Palavras de uma Lagarta. Ou é de Alice?

"Metáfora" proposta: Cada um passa pelas transformações do seu jeito. Não há erro, uns são Lagarta, outros Alice, mas todos estão crescendo e se transformando e têm percepções distintas do processo pessoal e alheio.

A Lagarta e Alice olharam-se por algum tempo. Quem é você? , disse a Lagarta.
"Acho que infelizmente não posso me explicar, minha senhora, disse Alice, "porque já não sou eu, entende"? "Ter muitos tamanhos num mesmo dia, é muito confuso".  
"Não é" , disse a Lagarta.
"Bem, talvez ainda não pense assim.", "Mas quando se transformar numa crisálida (...) talvez seus sentimentos sejam diferentes", disse Alice. "O que eu sei é que eu iria me sentir esquisita".
"Nem um pouco", disse a Lagarta. 
"Você!" , disse a Lagarta com desdém.  "Quem é você?"
 O que as levou de volta ao começo da conversa. 

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O que é a vida racional?

O que é uma vida racional?

Segundo Edgar Morin não existem critérios racionais  que ajudem a definir quando uma uma vida é racional. Ele pergunta: Nunca ultrapassar a dosagem prescrita é racional? Morin traça a diferença entre racionalidade e racionalização. Segundo o autor, racionalização se autoconfirma em seus textos sagrados, é fechada, dogmática, não aceita mudanças, nem críticas. Já a racionalidade é aberta, e aceita que suas próprias teorias sejam biodegráveis, que possam eventualmente ser superadas por argumentos ou aperfeiçoamentos que as contradigam (Edgar Morin - Amor, Poesia, sabedoria, Editora Bertrand Russel, página 54). 


Vamos ser racionais, a partir da racionalidade (uma das propriedades da mente pensante) e não a partir da racionalização, que se dá a partir do que é aprendido na cultura, com tudo o que nos foi "ensinado'.  Temos que ser racionais, inventar a razão, indo além do processo cultural, para que possamos avaliar corretamente alternativas e chegarmos a soluções e decisões inéditas.


Castoriadis disse: o homem é esse animal louco que inventou a razão. 



segunda-feira, 16 de maio de 2011

A condição humana - Hannah Arendt - Vamos debater o conceito?


 Livro: “A Condição Humana” (Hannah Arendt)


Hannah Arendt, pensadora política e filósofa, Conhecida como uma pensadora da liberdade, nasceu na Alemanha em 1906 e faleceu em 1975.

No livro "A Condição humana"  Hannah Arendt discute a importância do espaço público para o exercício da liberdade humana.  

“Embora todos comecem a vida inserindo-se no mundo humano através do discurso e da ação, ninguém é autor ou criador da história de sua própria vida. Em outras palavras, as histórias, resultado da ação e do discurso, revelam um agente, mas esse agente não é autor nem produtor. Alguém a iniciou e dela é o sujeito, na dupla acepção da palavra, mas ninguém é seu autor.”

O que nos convida à reflexão também é que em tempo de Liberalismo, de Direitos Individuais desconectados do bem comum geral, tempos de atomização, o espaço público, onde se forma a opinião pública, se fragiliza porque cada um corre atrás de seus próprios interesses, em detrimento de questões universais.

Caso queira debater, estou aqui esperando a sua postagem....

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Normose: uma doença no campo ético

A NORMOSE é aquele comportamento que leva a uma percepção de que “se todo mundo faz, eu também vou fazer”. Todo mundo leva caneta e lápis para casa, eu também vou levar; todo mundo cobra propina eu também vou cobrar, todo mundo desvia material, eu também vou desviar. A normose é uma doença, então.... sejamos a diferença a partir de nossas práticas. É a falta de princípios éticos que norteiem as práticas, que faz surgir a normose, que é uma patologia que pode infectar a cultura, seja nas organizações, seja em sociedade.


"Necessitamos de um mutirão em prol da educação da alma, que nos possa desvelar uma ética natural, derivada da consciência desperta de onde emana a vivência amorosa e solidária. mais do que nunca necessitamos de um desespero sóbrio e de uma revolta lúcida para transcender o fatídico cenário normótico, rumo aos horizontes da excelência e do florescimento humano" (Crema:2001:12).(Cavalcante et al. Liderança e motivação. 2ª. Edição. Fgv.2008:19)

Mas afinal o que é a Ética? Ética é um conjunto de princípios que nos é ensinado e pelos quais aprendemos a pautar a nossa vida. Nem sempre todos agem com base nos princípios que aprenderam, pois a ética é teórica. Já a moral representa-se nas ações que praticamos. A moral é prática e a Ética é conceitual. Assim ficar com um objeto que não nos pertence é imoral porque é uma prática errada e é antiético porque fere os princípios que aprendemos. Pode-se ver que Ética e Moral são os lados opostos de uma mesma moeda.

A cultura organizacional em cada empresa precisa de gestores/ líderes para construir de forma conjunta relações saudáveis e éticas entre todos os parceiros (stakeholders), pois é na relação que se confirma o alcance da missão da empresa por funcionários, fornecedores, clientes, comunidade no entorno, etc. São muitos atores relacionando-se e é por este motivo que as práticas devem sempre ser acompanhadas / revistas, pois a ética é transformadora de mentes e é a partir das transformações que ocorrem no campo ético, que é relacional, que se fazem as grandes transformações na mente, levando às mudanças no mundo, nas empresas, nas instituições.

No escravismo os princípios éticos adotados levavam as pessoas a agirem de forma a verem outro ser humano como mercadoria. Mas os tempos mudaram e os princípios éticos se transformaram levando a uma grande transformação no campo da moral.

A vida é muito complexa, no entanto devemos nos esforçar para pautar nossas práticas a partir de princípios éticos. Em sociedade ou na empresa é o ser humano quem vai incorporar valor ético em tudo o que faz, e como o campo ético é relacional, podemos sim fazer a diferença.

 Estas relações entre Ética (princípios) e Moral (práticas) a partir da adoção dos valores propostos e uma constante revisão de práticas e pincípios envolvendo a todos é que se chama de Responsabilidade Social.

Assim é importante que as empresas, as instituições, os grupos, a família, a comunidade, o país, os indivíduos, estejam sempre fazendo uma revisão em suas práticas, a partir da reflexão sobre os princípios éticos, para que tudo se resulte em um agir renovado com base em princípios éticos incorporados às práticas (um novo ethos), e progressivamente se construa, de forma conjunta, uma sociedade ética. Só assim a doença normose pode ser mantida sob controle.

terça-feira, 29 de março de 2011

Qual o valor da verdade?

Nietzche dizia que fatos não existem, existem interpretações. Esta é uma definição muito interesante para elucidar o conceito de verdade.

Uma pessoa cética não acredita em nada, já uma pessoa dogmática acredita que suas idéias são as únicas corretas e que não precisa aprender mais nada, porque o que sabe lhe basta. Acredita que sabe tudo.



Podemos ver aí um conceito aplicado à verdade: aquele que acha que não precisa mais aprender, que não precisa ler ou ouvir mais ninguém porque ninguém tem nada a lhe ensinar, tem a certeza de que suas verdades são absolutas e únicas. Estas pessoas se acham certas em suas análises, porque apreendem a verdade de uma forma muito particular, que não aceita mais entrar no campo relacional.


O verbo apreender é muito interessante porque tem um sentido de perceber, de entender, de abarcar o que existe, e traz de certo modo o sentido de interpretar com o que se sabe.


Veja: uma sociedade possui suas leis e sua moral, no entanto quando se fala em dogmatismo e verdades não se põe em questionamento que quem pensa que estuprar é correto, tem a sua verdade. Não se trata disso em absoluto.

A questão é que verdades surgem quando vamos interpretar os fatos da vida cotidiana. Então alguém vai dizer: furtou um pão tem que enfrentar a cadeia. Outro vai dizer: O que leva uma pessoa a fazer isso: fome, filhos, desespero? Veja são interpretações diferentes do mesmo fato, que nos leva a afirmar que estas pessoas têm mentalidades diferentes, formas de apreender o contexto de formas diversas e portanto suas verdades são distintas.


O valor da verdade é que a partir de nossas interpretações sobre os fatos, a forma como pensamos se incorpora em nossas estruturas sociais e individuais, transformando vidas. A verdade tem valor e o seu rflexo nós sentimos na política, na educação, na economia, no dia a dia.


Outra questão importante é que estas pessoas que acreditam que o que pensam é a verdade absoluta, que não aceitam debater, não aceitam críticas às suas idéias, aos seus conceitos, porque acham que estão certas e que não vão mudar, e que ninguém pode lhes ensinar mais nada, elas estão em erro. Elas podem mudar, podem aprender coisas novas e sucessivamente evoluir. O erro é uma caracteristica da mente.
 Não se deve confundir o erro com a mentira, pois quando uma pessoa que é Flamengo e diz que é Vasco porque está em meio à torcida vascaína, ela está mentindo, porque o que tem na mente dela é diferente do que fala. Marculino Camargo em seu livro Filosofia do conhecimento diz que  erro é uma questão de lógica  e mentira é uma questão moral.


É muito importante que nos grupos existam pessoas que pensem diferente, pois as soluções ficam mais ricas  e as pessoas têm a grande possibilidade de aprenderem umas com as outras, numa circularidade que tem um efeito exponencial para a mente. Lidar com o erro de forma a extrair soluções criativas é uma habilidade gerencial, pois mesmo o dogmático que acredita que sua visão é a única que pode resolver problemas, se fizer parte de um grupo, pode contribuir com suas idéias. A gestão humana de recursos leva todos a participarem e leva a um mundo mais democrático, porque considera a diversidade de idéias um farol importante para uma ética de responsabilidade.
Fico com fernando Pessoa em seu poema sobre a verdade:
A verdade, se ela existe...
Ver-se-á que só consiste
Na procura da verdade,
Porque a vida é só metade!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Alain Touraine – O fim do social e a sociedade cultural

Touraine  tece um conceito de modernidade para compreender as necessidades do mundo de hoje. Ele afirma que o novo paradigma não se pode mais valer do tripé político, econômico e social, da Revolução industrial, mas depende de novos valores e novos conflitos com o pensamento social ocupando-se de realidades culturais. Touraine afirma que a perda da centralidade das categorias sociais é radicalmente nova, num efeito fascinante e inquietante ao mesmo tempo, com o pensamento social organizando-se ao redor dos problemas culturais.

Segundo Alain Touraine não se encontra mais sentido nas instituições políticas e sociais e que este novo paradigma cultural é o único capaz de promover uma outra concepção de vida política, um novo individualismo.


Touraine esclarece que o novo modelo pós-social dos direitos culturais se contrapõe às produções da cultura de massa e à lógica geral do lucro e provoca a inserção das minorias que se sentem traídas pela imagem que delas é apresentada.


Hoje todos tem um papel representativo na construção conjunta de uma nova sociedade e nesta tecitura, cada um por sua vez pode contribuir com suas influências, e vem parecendo que este fenômeno possui características transformadoras e libertadoras, mostrando traços do que Touraine chama de uma nova sociedade cultural.


A nova sociedade cultural é um fenômeno global, que surge localizado, a partir do deslocamento do eixo para um novo paradigma cultural, a partir do qual homens e mulheres constroem conhecimento no qual a matéria prima para gerar riquezas, é o indivíduo, o local, a vizinhança, as relações próximas.

Alijadas há tempos de uma história coletiva, resta às pessoas, aos grupos e comunidades voltarem-se sobre si mesmas e buscarem encontrar suas próprias soluções, re-inventarem vidas, protagonizarem histórias, dando um novo sentido às experiências, compartilhando práticas, fazendo surgir neste mergulho para dentro de si mesmos novas narrativas, novos conteúdos, novas políticas comunitárias.

O conceito de democracia liga-se profundamente ao conceito de comunidade, um Espaço Público localizado para a formação de um espírito coletivo cultural, local e depois nacional. É neste sentido que podemos afirmar que inguém pode nos dar a democracia, devemos aprender a democracia, na relação, na interação, na proximidade, no grupo. Ser democrata é aprender como viver com outros seres humanos. É o conceito de grupo com o significado de associação sob a lei da interpenetração, para uma democracia participativa.


TOURAINE, Alain. Um novo Paradigma: Para compreender o mundo de hoje. Rio de Janeiro:  Editora Vozes, 2007. 249 p.