O que é uma vida racional?
Segundo Edgar Morin não existem critérios racionais que ajudem a definir quando uma uma vida é racional. Ele pergunta: Nunca ultrapassar a dosagem prescrita é racional? Morin traça a diferença entre racionalidade e racionalização. Segundo o autor, racionalização se autoconfirma em seus textos sagrados, é fechada, dogmática, não aceita mudanças, nem críticas. Já a racionalidade é aberta, e aceita que suas próprias teorias sejam biodegráveis, que possam eventualmente ser superadas por argumentos ou aperfeiçoamentos que as contradigam (Edgar Morin - Amor, Poesia, sabedoria, Editora Bertrand Russel, página 54).
Vamos ser racionais, a partir da racionalidade (uma das propriedades da mente pensante) e não a partir da racionalização, que se dá a partir do que é aprendido na cultura, com tudo o que nos foi "ensinado'. Temos que ser racionais, inventar a razão, indo além do processo cultural, para que possamos avaliar corretamente alternativas e chegarmos a soluções e decisões inéditas.
Castoriadis disse: o homem é esse animal louco que inventou a razão.
A Filosofia é um modo de pensar, e ao final se manifesta em um modo de existir. É uma forma de se colocar diante da realidade, diante dos problemas. A Filosofia questiona, indaga e não se acomoda diante das verdades absolutas. A Ética sendo uma parte da Filosofia se ocupa com a reflexão sobre os princípios que regem a vida moral da sociedade.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
A condição humana - Hannah Arendt - Vamos debater o conceito?
Livro: “A Condição Humana” (Hannah Arendt)
Hannah Arendt, pensadora política e filósofa, Conhecida como uma pensadora da liberdade, nasceu na Alemanha em 1906 e faleceu em 1975.
No livro "A Condição humana" Hannah Arendt discute a importância do espaço público para o exercício da liberdade humana.
“Embora todos comecem a vida inserindo-se no mundo humano através do discurso e da ação, ninguém é autor ou criador da história de sua própria vida. Em outras palavras, as histórias, resultado da ação e do discurso, revelam um agente, mas esse agente não é autor nem produtor. Alguém a iniciou e dela é o sujeito, na dupla acepção da palavra, mas ninguém é seu autor.”
O que nos convida à reflexão também é que em tempo de Liberalismo, de Direitos Individuais desconectados do bem comum geral, tempos de atomização, o espaço público, onde se forma a opinião pública, se fragiliza porque cada um corre atrás de seus próprios interesses, em detrimento de questões universais.
Caso queira debater, estou aqui esperando a sua postagem....
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Normose: uma doença no campo ético
A NORMOSE é aquele comportamento que leva a uma percepção de que “se todo mundo faz, eu também vou fazer”. Todo mundo leva caneta e lápis para casa, eu também vou levar; todo mundo cobra propina eu também vou cobrar, todo mundo desvia material, eu também vou desviar. A normose é uma doença, então.... sejamos a diferença a partir de nossas práticas. É a falta de princípios éticos que norteiem as práticas, que faz surgir a normose, que é uma patologia que pode infectar a cultura, seja nas organizações, seja em sociedade.
Mas afinal o que é a Ética? Ética é um conjunto de princípios que nos é ensinado e pelos quais aprendemos a pautar a nossa vida. Nem sempre todos agem com base nos princípios que aprenderam, pois a ética é teórica. Já a moral representa-se nas ações que praticamos. A moral é prática e a Ética é conceitual. Assim ficar com um objeto que não nos pertence é imoral porque é uma prática errada e é antiético porque fere os princípios que aprendemos. Pode-se ver que Ética e Moral são os lados opostos de uma mesma moeda.
A cultura organizacional em cada empresa precisa de gestores/ líderes para construir de forma conjunta relações saudáveis e éticas entre todos os parceiros (stakeholders), pois é na relação que se confirma o alcance da missão da empresa por funcionários, fornecedores, clientes, comunidade no entorno, etc. São muitos atores relacionando-se e é por este motivo que as práticas devem sempre ser acompanhadas / revistas, pois a ética é transformadora de mentes e é a partir das transformações que ocorrem no campo ético, que é relacional, que se fazem as grandes transformações na mente, levando às mudanças no mundo, nas empresas, nas instituições.
No escravismo os princípios éticos adotados levavam as pessoas a agirem de forma a verem outro ser humano como mercadoria. Mas os tempos mudaram e os princípios éticos se transformaram levando a uma grande transformação no campo da moral.
A vida é muito complexa, no entanto devemos nos esforçar para pautar nossas práticas a partir de princípios éticos. Em sociedade ou na empresa é o ser humano quem vai incorporar valor ético em tudo o que faz, e como o campo ético é relacional, podemos sim fazer a diferença.
Estas relações entre Ética (princípios) e Moral (práticas) a partir da adoção dos valores propostos e uma constante revisão de práticas e pincípios envolvendo a todos é que se chama de Responsabilidade Social.
Assim é importante que as empresas, as instituições, os grupos, a família, a comunidade, o país, os indivíduos, estejam sempre fazendo uma revisão em suas práticas, a partir da reflexão sobre os princípios éticos, para que tudo se resulte em um agir renovado com base em princípios éticos incorporados às práticas (um novo ethos), e progressivamente se construa, de forma conjunta, uma sociedade ética. Só assim a doença normose pode ser mantida sob controle.
"Necessitamos de um mutirão em prol da educação da alma, que nos possa desvelar uma ética natural, derivada da consciência desperta de onde emana a vivência amorosa e solidária. mais do que nunca necessitamos de um desespero sóbrio e de uma revolta lúcida para transcender o fatídico cenário normótico, rumo aos horizontes da excelência e do florescimento humano" (Crema:2001:12).(Cavalcante et al. Liderança e motivação. 2ª. Edição. Fgv.2008:19)
Mas afinal o que é a Ética? Ética é um conjunto de princípios que nos é ensinado e pelos quais aprendemos a pautar a nossa vida. Nem sempre todos agem com base nos princípios que aprenderam, pois a ética é teórica. Já a moral representa-se nas ações que praticamos. A moral é prática e a Ética é conceitual. Assim ficar com um objeto que não nos pertence é imoral porque é uma prática errada e é antiético porque fere os princípios que aprendemos. Pode-se ver que Ética e Moral são os lados opostos de uma mesma moeda.
A cultura organizacional em cada empresa precisa de gestores/ líderes para construir de forma conjunta relações saudáveis e éticas entre todos os parceiros (stakeholders), pois é na relação que se confirma o alcance da missão da empresa por funcionários, fornecedores, clientes, comunidade no entorno, etc. São muitos atores relacionando-se e é por este motivo que as práticas devem sempre ser acompanhadas / revistas, pois a ética é transformadora de mentes e é a partir das transformações que ocorrem no campo ético, que é relacional, que se fazem as grandes transformações na mente, levando às mudanças no mundo, nas empresas, nas instituições.
No escravismo os princípios éticos adotados levavam as pessoas a agirem de forma a verem outro ser humano como mercadoria. Mas os tempos mudaram e os princípios éticos se transformaram levando a uma grande transformação no campo da moral.
A vida é muito complexa, no entanto devemos nos esforçar para pautar nossas práticas a partir de princípios éticos. Em sociedade ou na empresa é o ser humano quem vai incorporar valor ético em tudo o que faz, e como o campo ético é relacional, podemos sim fazer a diferença.
Estas relações entre Ética (princípios) e Moral (práticas) a partir da adoção dos valores propostos e uma constante revisão de práticas e pincípios envolvendo a todos é que se chama de Responsabilidade Social.
Assim é importante que as empresas, as instituições, os grupos, a família, a comunidade, o país, os indivíduos, estejam sempre fazendo uma revisão em suas práticas, a partir da reflexão sobre os princípios éticos, para que tudo se resulte em um agir renovado com base em princípios éticos incorporados às práticas (um novo ethos), e progressivamente se construa, de forma conjunta, uma sociedade ética. Só assim a doença normose pode ser mantida sob controle.
terça-feira, 29 de março de 2011
Qual o valor da verdade?
Nietzche dizia que fatos não existem, existem interpretações. Esta é uma definição muito interesante para elucidar o conceito de verdade.
Uma pessoa cética não acredita em nada, já uma pessoa dogmática acredita que suas idéias são as únicas corretas e que não precisa aprender mais nada, porque o que sabe lhe basta. Acredita que sabe tudo.
Podemos ver aí um conceito aplicado à verdade: aquele que acha que não precisa mais aprender, que não precisa ler ou ouvir mais ninguém porque ninguém tem nada a lhe ensinar, tem a certeza de que suas verdades são absolutas e únicas. Estas pessoas se acham certas em suas análises, porque apreendem a verdade de uma forma muito particular, que não aceita mais entrar no campo relacional.
O verbo apreender é muito interessante porque tem um sentido de perceber, de entender, de abarcar o que existe, e traz de certo modo o sentido de interpretar com o que se sabe.
Veja: uma sociedade possui suas leis e sua moral, no entanto quando se fala em dogmatismo e verdades não se põe em questionamento que quem pensa que estuprar é correto, tem a sua verdade. Não se trata disso em absoluto.
A questão é que verdades surgem quando vamos interpretar os fatos da vida cotidiana. Então alguém vai dizer: furtou um pão tem que enfrentar a cadeia. Outro vai dizer: O que leva uma pessoa a fazer isso: fome, filhos, desespero? Veja são interpretações diferentes do mesmo fato, que nos leva a afirmar que estas pessoas têm mentalidades diferentes, formas de apreender o contexto de formas diversas e portanto suas verdades são distintas.
O valor da verdade é que a partir de nossas interpretações sobre os fatos, a forma como pensamos se incorpora em nossas estruturas sociais e individuais, transformando vidas. A verdade tem valor e o seu rflexo nós sentimos na política, na educação, na economia, no dia a dia.
Outra questão importante é que estas pessoas que acreditam que o que pensam é a verdade absoluta, que não aceitam debater, não aceitam críticas às suas idéias, aos seus conceitos, porque acham que estão certas e que não vão mudar, e que ninguém pode lhes ensinar mais nada, elas estão em erro. Elas podem mudar, podem aprender coisas novas e sucessivamente evoluir. O erro é uma caracteristica da mente.
Não se deve confundir o erro com a mentira, pois quando uma pessoa que é Flamengo e diz que é Vasco porque está em meio à torcida vascaína, ela está mentindo, porque o que tem na mente dela é diferente do que fala. Marculino Camargo em seu livro Filosofia do conhecimento diz que erro é uma questão de lógica e mentira é uma questão moral.
Uma pessoa cética não acredita em nada, já uma pessoa dogmática acredita que suas idéias são as únicas corretas e que não precisa aprender mais nada, porque o que sabe lhe basta. Acredita que sabe tudo.
Podemos ver aí um conceito aplicado à verdade: aquele que acha que não precisa mais aprender, que não precisa ler ou ouvir mais ninguém porque ninguém tem nada a lhe ensinar, tem a certeza de que suas verdades são absolutas e únicas. Estas pessoas se acham certas em suas análises, porque apreendem a verdade de uma forma muito particular, que não aceita mais entrar no campo relacional.
O verbo apreender é muito interessante porque tem um sentido de perceber, de entender, de abarcar o que existe, e traz de certo modo o sentido de interpretar com o que se sabe.
Veja: uma sociedade possui suas leis e sua moral, no entanto quando se fala em dogmatismo e verdades não se põe em questionamento que quem pensa que estuprar é correto, tem a sua verdade. Não se trata disso em absoluto.
A questão é que verdades surgem quando vamos interpretar os fatos da vida cotidiana. Então alguém vai dizer: furtou um pão tem que enfrentar a cadeia. Outro vai dizer: O que leva uma pessoa a fazer isso: fome, filhos, desespero? Veja são interpretações diferentes do mesmo fato, que nos leva a afirmar que estas pessoas têm mentalidades diferentes, formas de apreender o contexto de formas diversas e portanto suas verdades são distintas.
O valor da verdade é que a partir de nossas interpretações sobre os fatos, a forma como pensamos se incorpora em nossas estruturas sociais e individuais, transformando vidas. A verdade tem valor e o seu rflexo nós sentimos na política, na educação, na economia, no dia a dia.
Outra questão importante é que estas pessoas que acreditam que o que pensam é a verdade absoluta, que não aceitam debater, não aceitam críticas às suas idéias, aos seus conceitos, porque acham que estão certas e que não vão mudar, e que ninguém pode lhes ensinar mais nada, elas estão em erro. Elas podem mudar, podem aprender coisas novas e sucessivamente evoluir. O erro é uma caracteristica da mente.
Não se deve confundir o erro com a mentira, pois quando uma pessoa que é Flamengo e diz que é Vasco porque está em meio à torcida vascaína, ela está mentindo, porque o que tem na mente dela é diferente do que fala. Marculino Camargo em seu livro Filosofia do conhecimento diz que erro é uma questão de lógica e mentira é uma questão moral.
É muito importante que nos grupos existam pessoas que pensem diferente, pois as soluções ficam mais ricas e as pessoas têm a grande possibilidade de aprenderem umas com as outras, numa circularidade que tem um efeito exponencial para a mente. Lidar com o erro de forma a extrair soluções criativas é uma habilidade gerencial, pois mesmo o dogmático que acredita que sua visão é a única que pode resolver problemas, se fizer parte de um grupo, pode contribuir com suas idéias. A gestão humana de recursos leva todos a participarem e leva a um mundo mais democrático, porque considera a diversidade de idéias um farol importante para uma ética de responsabilidade.
Fico com fernando Pessoa em seu poema sobre a verdade:
A verdade, se ela existe...
Ver-se-á que só consiste
Na procura da verdade,
Porque a vida é só metade!
sexta-feira, 25 de março de 2011
Alain Touraine – O fim do social e a sociedade cultural
Touraine tece um conceito de modernidade para compreender as necessidades do mundo de hoje. Ele afirma que o novo paradigma não se pode mais valer do tripé político, econômico e social, da Revolução industrial, mas depende de novos valores e novos conflitos com o pensamento social ocupando-se de realidades culturais. Touraine afirma que a perda da centralidade das categorias sociais é radicalmente nova, num efeito fascinante e inquietante ao mesmo tempo, com o pensamento social organizando-se ao redor dos problemas culturais.
Segundo Alain Touraine não se encontra mais sentido nas instituições políticas e sociais e que este novo paradigma cultural é o único capaz de promover uma outra concepção de vida política, um novo individualismo.
Touraine esclarece que o novo modelo pós-social dos direitos culturais se contrapõe às produções da cultura de massa e à lógica geral do lucro e provoca a inserção das minorias que se sentem traídas pela imagem que delas é apresentada.
Hoje todos tem um papel representativo na construção conjunta de uma nova sociedade e nesta tecitura, cada um por sua vez pode contribuir com suas influências, e vem parecendo que este fenômeno possui características transformadoras e libertadoras, mostrando traços do que Touraine chama de uma nova sociedade cultural.
A nova sociedade cultural é um fenômeno global, que surge localizado, a partir do deslocamento do eixo para um novo paradigma cultural, a partir do qual homens e mulheres constroem conhecimento no qual a matéria prima para gerar riquezas, é o indivíduo, o local, a vizinhança, as relações próximas.
Alijadas há tempos de uma história coletiva, resta às pessoas, aos grupos e comunidades voltarem-se sobre si mesmas e buscarem encontrar suas próprias soluções, re-inventarem vidas, protagonizarem histórias, dando um novo sentido às experiências, compartilhando práticas, fazendo surgir neste mergulho para dentro de si mesmos novas narrativas, novos conteúdos, novas políticas comunitárias.
O conceito de democracia liga-se profundamente ao conceito de comunidade, um Espaço Público localizado para a formação de um espírito coletivo cultural, local e depois nacional. É neste sentido que podemos afirmar que inguém pode nos dar a democracia, devemos aprender a democracia, na relação, na interação, na proximidade, no grupo. Ser democrata é aprender como viver com outros seres humanos. É o conceito de grupo com o significado de associação sob a lei da interpenetração, para uma democracia participativa.
Segundo Alain Touraine não se encontra mais sentido nas instituições políticas e sociais e que este novo paradigma cultural é o único capaz de promover uma outra concepção de vida política, um novo individualismo.
Touraine esclarece que o novo modelo pós-social dos direitos culturais se contrapõe às produções da cultura de massa e à lógica geral do lucro e provoca a inserção das minorias que se sentem traídas pela imagem que delas é apresentada.
Hoje todos tem um papel representativo na construção conjunta de uma nova sociedade e nesta tecitura, cada um por sua vez pode contribuir com suas influências, e vem parecendo que este fenômeno possui características transformadoras e libertadoras, mostrando traços do que Touraine chama de uma nova sociedade cultural.
A nova sociedade cultural é um fenômeno global, que surge localizado, a partir do deslocamento do eixo para um novo paradigma cultural, a partir do qual homens e mulheres constroem conhecimento no qual a matéria prima para gerar riquezas, é o indivíduo, o local, a vizinhança, as relações próximas.
Alijadas há tempos de uma história coletiva, resta às pessoas, aos grupos e comunidades voltarem-se sobre si mesmas e buscarem encontrar suas próprias soluções, re-inventarem vidas, protagonizarem histórias, dando um novo sentido às experiências, compartilhando práticas, fazendo surgir neste mergulho para dentro de si mesmos novas narrativas, novos conteúdos, novas políticas comunitárias.
O conceito de democracia liga-se profundamente ao conceito de comunidade, um Espaço Público localizado para a formação de um espírito coletivo cultural, local e depois nacional. É neste sentido que podemos afirmar que inguém pode nos dar a democracia, devemos aprender a democracia, na relação, na interação, na proximidade, no grupo. Ser democrata é aprender como viver com outros seres humanos. É o conceito de grupo com o significado de associação sob a lei da interpenetração, para uma democracia participativa.
TOURAINE, Alain. Um novo Paradigma: Para compreender o mundo de hoje. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2007. 249 p.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Boaventura de Souza Santos - A consciência e a Mente mais ampla
A Mecânica Quântica coloca a consciência no ato do conhecimento, significando com isso que nós conhecemos na medida do que sabemos, portanto todo conhecimento é finito, porque só vai até onde a nossa consciênncia permite que enxerguemos.
Nietzsche advertia que nossas lentes são fornecidas pela cultura e nossos sentidos nos envolvem na mentira. Ele dizia que somos aranhas em uma teia que só apanha o que se deixa apanhar, ou seja, os sentidos captam o que a cultura ensina a apanhar.
O Professor Boaventura Santos conceitua a consciência para além do paradigma da Mecânica Quântica, em um conceito a partir do qual a conciência não está no homem ou na mulher, mas se estende a todo o universo. Isso significa que há uma orquestração entre sujeito, ato de conhecimento e objeto, ou seja no ato do conhecimento vemos de acordo com o que sabemos e o objeto se mostra na medida de nosso conhecimento.
Há uma dimensão psíquica na natureza, uma mente mais ampla e Boaventura Santos cita Bateson, que diz que a mente é apenas uma parte da Mente mais ampla, ou seja a mente humana é imanente (1) ao sistema social global e à ecologia planetária que alguns chamam de "Deus".
(1) A mente humana é influenciada pelo sistema social global e por uma ecologia planetária. Parafraseando Nietzche: somos aranhas em uma teia que só apanha o que se deixa apanhar, ou seja, os sentidos captam o que a Mente "mais ampla" ensina a apanhar.
Nietzsche advertia que nossas lentes são fornecidas pela cultura e nossos sentidos nos envolvem na mentira. Ele dizia que somos aranhas em uma teia que só apanha o que se deixa apanhar, ou seja, os sentidos captam o que a cultura ensina a apanhar.
O Professor Boaventura Santos conceitua a consciência para além do paradigma da Mecânica Quântica, em um conceito a partir do qual a conciência não está no homem ou na mulher, mas se estende a todo o universo. Isso significa que há uma orquestração entre sujeito, ato de conhecimento e objeto, ou seja no ato do conhecimento vemos de acordo com o que sabemos e o objeto se mostra na medida de nosso conhecimento.
Há uma dimensão psíquica na natureza, uma mente mais ampla e Boaventura Santos cita Bateson, que diz que a mente é apenas uma parte da Mente mais ampla, ou seja a mente humana é imanente (1) ao sistema social global e à ecologia planetária que alguns chamam de "Deus".
(1) A mente humana é influenciada pelo sistema social global e por uma ecologia planetária. Parafraseando Nietzche: somos aranhas em uma teia que só apanha o que se deixa apanhar, ou seja, os sentidos captam o que a Mente "mais ampla" ensina a apanhar.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Gestão como doença social - Vincent de Gaulejac
Vincent de Gaulejac é Sociólogo e nasceu em 1946 na França, na cidade de Croissy-sur-Seine. É professor de sociologia na Universidade de Paris 7.
Segundo Vincent de Gaulejac, a gestão não é em si mesma uma patologia. A metáfora da doença é um artifício para descrever diferentes sintomas que decorrem diretamente do modo pelo qual a gestão apresenta problemas e soluções que ela preconiza para os resolver. Visto por este ângulo, o gestor precisa mudar seus métodos e técnicas para alinhar-se a uma gestão democrática, ou seja uma gestão humana dos recursos.
Ele preconiza que se deve reinscrever a gestão em uma preocupação antropológica, uma gestão humana dos recursos, mais que uma gestão dos recursos humanos. Gaulejac afirma que a crise que nos confronta não é uma crise econômica, pois as sociedades geram riquezas, o que há é que a economia não é concebida para se colocar à serviço do bem comum.
Ele aborda de forma clara o antagonismo entre capital e trabalho e suas formas de gestão, e cita Cornelius Castoriadis que fala de duas significações imaginárias sociais opostas, que animam o Ocidente moderno: "O projeto de autonomia individual e coletiva, ou seja a luta pela emancipação do ser humano, tanto intelectual quanto espiritual, e o projeto capitalista demencial, de expansão ilimitada, que deixou de se referir apenas às forças produtivas da economia, para se tornar um projeto global, de um domínio social, biológico, psíquico e cultural.
É fato, segundo Gaulejac, que uma centena de multinacionais controla direta ou indiretamente mais de 50% da produção econômica mundial e em função destes dados estamos no direito de nos inquietarmos com estes números. Cabe então perguntarmos: Quem controla as empresas multinacionais? Sabemos que há um desequilíbrio entre capital e trabalho que vem se acentuando cada vez mais, e este é um fato global. Dentro destas perpectivas podemos afirmar que o desequilíbrio entre as relações de capital e trabalho é consequência da ausência de controle democrático sobre o desenvolvimento destas relações.
Mas como reabilitar a ação política que construirá um mundo comum, com formas de gestão mais humanas que levem em conta, onde estiver sendo exercida, o respeito ao meio ambiente, as solidariedades sociais e as aspirações mais profundas do ser humano?
Para responder, voltamos ao conceito de gestão como um sistema de organização de poder, capaz, em todas as empresas, organizações, instituições, de uma ação política que conceba a exploração dos recursos, pelo modo da conservação e renovação dos recursos naturais. Uma gestão a partir da qual, cada ser humano no mundo possa ter um lugar como cidadão, como sujeito e como ator. Uma gestão concebida e implementada de modo a construir um mundo que estaríamos orgulhosos de transmitir aos nossos filhos.
GAULEJAC, Vincent, Gestão como doença social, S.P: Idéias e letras, 2007
Segundo Vincent de Gaulejac, a gestão não é em si mesma uma patologia. A metáfora da doença é um artifício para descrever diferentes sintomas que decorrem diretamente do modo pelo qual a gestão apresenta problemas e soluções que ela preconiza para os resolver. Visto por este ângulo, o gestor precisa mudar seus métodos e técnicas para alinhar-se a uma gestão democrática, ou seja uma gestão humana dos recursos.
Ele preconiza que se deve reinscrever a gestão em uma preocupação antropológica, uma gestão humana dos recursos, mais que uma gestão dos recursos humanos. Gaulejac afirma que a crise que nos confronta não é uma crise econômica, pois as sociedades geram riquezas, o que há é que a economia não é concebida para se colocar à serviço do bem comum.
Ele aborda de forma clara o antagonismo entre capital e trabalho e suas formas de gestão, e cita Cornelius Castoriadis que fala de duas significações imaginárias sociais opostas, que animam o Ocidente moderno: "O projeto de autonomia individual e coletiva, ou seja a luta pela emancipação do ser humano, tanto intelectual quanto espiritual, e o projeto capitalista demencial, de expansão ilimitada, que deixou de se referir apenas às forças produtivas da economia, para se tornar um projeto global, de um domínio social, biológico, psíquico e cultural.
É fato, segundo Gaulejac, que uma centena de multinacionais controla direta ou indiretamente mais de 50% da produção econômica mundial e em função destes dados estamos no direito de nos inquietarmos com estes números. Cabe então perguntarmos: Quem controla as empresas multinacionais? Sabemos que há um desequilíbrio entre capital e trabalho que vem se acentuando cada vez mais, e este é um fato global. Dentro destas perpectivas podemos afirmar que o desequilíbrio entre as relações de capital e trabalho é consequência da ausência de controle democrático sobre o desenvolvimento destas relações.
Mas como reabilitar a ação política que construirá um mundo comum, com formas de gestão mais humanas que levem em conta, onde estiver sendo exercida, o respeito ao meio ambiente, as solidariedades sociais e as aspirações mais profundas do ser humano?
Para responder, voltamos ao conceito de gestão como um sistema de organização de poder, capaz, em todas as empresas, organizações, instituições, de uma ação política que conceba a exploração dos recursos, pelo modo da conservação e renovação dos recursos naturais. Uma gestão a partir da qual, cada ser humano no mundo possa ter um lugar como cidadão, como sujeito e como ator. Uma gestão concebida e implementada de modo a construir um mundo que estaríamos orgulhosos de transmitir aos nossos filhos.
GAULEJAC, Vincent, Gestão como doença social, S.P: Idéias e letras, 2007
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