quinta-feira, 14 de junho de 2018

O Indivíduo, o estado e o cidadão


 Pós- Modernidade e o conceito de Crematística em Aristóteles

Vivemos hoje um conceito de economia fundada na produção e na apropriação da prosperidade por poucos. Aristóteles[1] já havia estudado este aspecto da economia, quando criou o conceito de crematística,  juntando as idéias de khréma e atos, ou seja a  busca incessante do prazer no domínio individual da riqueza. Significa colocar a acumulação da riqueza antes do meio ambiente, antes da ecologia. Simboliza um tipo de economia que não privilegia os seres humanos, nem as matas, nem os rios. Simboliza a degradação sócio-ambiental etc, sem preocupação com as consequências deste tipo de economia predatória.

O pensamento aristotélico influenciou tanto o Direito, quanto a educação, como a economia , no sentido de seu conceito a respeito dos modos de vida privado e  público, no qual o ser humano está envolvido. Modos, certamente imbricados e impossível de separá-los. No entanto hoje este sistema público-privado encontra-se fragilizado pela exacerbação individualista da concepção do modo de vida privado, que carrega consigo como um irmão siamês, o âmbito público, esmaecido, sangrado, quase sem vida.

Na Antiga Grécia, o âmbito privado consistia no ser humano e sua família – Oikos em grego -  que também significava a terra, o meio ambiente, os bens que supriam estas pessoas. Já o âmbito  público havia o conceito de cidadão e ser cidadão significava integrar a administração da justiça e a assembléia que legislava e governava a cidade.

Aristóteles ao definir a Crematrística, distinguiu  três modos de adquirir riquezas: a colheita, a troca de bens e o comércio, que segundo ele não poderia ser hierarquicamente superior à política.  Para Aristóteles a vida que vale a pena ser vivida se daria no estado, pela política.


Hegel[2] em sua filosofia do direito traz o significado de sociedade civil-burguesa onde a finalidade é o âmbito particular. O âmbito público é o meio, que existe para satisfazer as necessidades do cidadão privado, significando com isto que as carências de todos servirão de instrumento para suprir a satisfação particular. Neste sentido, perder-se-ia o real sentido da economia, que segundo Aristóteles seria  a de satisfazer as reais necessidades.

O particular é o princípio da sociedade civil-burguesa” (HEGEL, 2010, § 189), estando confinado, restringido, aviltado  o interesse universal. Mas é bom lembrar que estado e indivíduo são indissociáveis, pois o cidadão surge no imbricamento do estado com o indivíduo. Pode ser um indivíduo comprometido com a res pública ou inteiramente privatizado, desligado dos interesses coletivos repreaentados pelo Estado.

Na Pós-modernidade a única lei é o lucro e o ser humano  se torna um selvagem, porque no seu individualismo escolheu viver isolado do estado e tornou-se um deus, porque dita a vida a ser vivida por milhares de pessoas, um deus de outra natureza, cujo nome –apesar de tudo – é desconhecido por todos.

Referências bibliográficas

ARISTÓTELES, Política. Tradução Torrieri Guimarães, São Paulo, editora Hemus, 2005.

HEGEL, G. W. F. Princípios da Filosofia do Direito. Tradução Orlando Vitorino. Lisboa: Guimarães Editores, 1990.




[1] O Filósofo grego Aristóteles nasceu em 384 a.C., na cidade de Estágira, e morreu em 322 a.C. Sua filosofia influênciou a educação e o pensamento ocidental contemporâneo. No entanto a Economia não se valeu deste poderoso afluente para lidar com a riqueza, pautada no bem comum.
[2] Filosofo alemão que nasceu em Sttutgart em 1770 e morreu em 1831

sexta-feira, 18 de maio de 2018

#Aquiloquenãofomos

Para mim, interpretando Peter Berger, o significado de Multiculturalidade em versos, poderia ser este abaixo chamado “Aquilo que não fomos”.
Na verdade, os processos cognitivos são construídos a muitas mãos e neste azo, à disposição da correnteza, homens e mulheres somos levados a refazer estes processos todos os dias, reconstruindo as paredes de nosso encarceramento. Triste representação!
Isto até que tenhamos aprendido a ser Interculturais e possamos “ser” humanos em toda a extensão deste significado, mudando o Curso da história, num novo salto cognitivo.
Eis o poema:


Ninguém tem culpa
daquilo que não fomos.
Não ouve erros.
Nem cálculos falhados.
Sobre a estipe de papel;
Apenas não somos os calculistas.
Porem os calculados.
Não somos os desenhistas.
Mas os desenhados.
E muito menos escrevemos versos.
E sim somos escritos.
.....
Autor: (Paulo Bonfim)
Fernando Pessoa explica: Eu sou uma tela em branco e oculta mão colora a vida em mim".

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

O dinheiro e o significado da vida

Na Mitologia grega o renascimento dos antepassados é representada pela figura mitológica de Hermes Psicopompe, que tem a missão - segundo o paganismo grego - de... conduzir os mortos ao Mundo das Trevas, colocando o caduceu sobre os seus olhos.

O Caduceu simboliza a Contabilidade e é representado por um bastão. Perfeito o símbolo da contabilidade neste contexto da vida, no qual tudo deve ser pesado, medido, contabilizado.

No símbolo do caduceu, o bastão é entrelaçado por duas serpentes e um elmo alado. É o emblema protetor do comércio, emblema da paz e prosperidade. A insígnia da profissão contábil significa a capacidade, a inteligência e a astúcia. Aqui se entende que não é o dinheiro que traz a infelicidade, mas é a falta de habilidade da  natureza humana em não saber como administrá~lo em prol do bem comum.

Na mitologia grega Hermes Psicopompe representa também o renascimento, a transformação, o novo e a recompensa pelos esforços empreendidos.

Nestes contextos da vida comum,  deveríamos pensar mais sobre o dinheiro e o significado da vida!

sábado, 2 de setembro de 2017

O Novo individualismo da Pós Modernidade

Neste tempo de “progresso” um novo individualismo está sendo gerado, um ser humano mais cultural, enraizado em seus valores. A questão é que o ser humano torna-se a síntese deste momento histórico, e se faz o humano parentético de Guerreiro Ramos, enfrentando, de um lado as teses da Pós-modernidade e do outro a antítese de sua própria humanidade.

Mas por ser a síntese nesse processo dialético, o ser humano traz guardado em si mesmo variáveis que não estão nem na Tese , nem na antítese, mas que são potenciais da raça humana – um ser humano entre parênteses inserido no aqui e agora, aprontando-se para o salto em uma nova trajetória.

De certa forma Guerreiro Ramos profetizou a chegada do ser humano pós-moderno de Zygmunt Bauman, que teve que se desenvolver como um ser humano criativo, autônomo, e que aprendeu – por força dos novos paradigmas - a sacrificar a sua vida, porque segurança e liberdade lhes foram negadas. Uma segurança que se desmorona no ar, que o impulsionou para o “progresso” tecnológico sem humanismo, e ele não pode voltar atrás, porque um vento chamado futuro o impulsiona para frente. O ser humano precisa mais do que nunca de uma atitude crítica, para viver este momento.

O adjetivo “parentético” de Guerreiro Ramos vale-se da noção de “em suspenso”. A atitude crítica suspende ou coloca entre parêntese a crença do mundo comum, permitindo ao indivíduo alcançar um nível de pensamento conceitual. Sou a luta entre um homem (sic) acabado e outro que está andando no ar.
É possível criar em si mesmo um ser humano autônomo, corajoso e ético? Marx falava em ser humano genérico, que não é só um homem produtivo, mas o portador de um saber e de um ser.

Á custo conjeturamos o terrestre, com trabalho encontramos o que está à mão: quem rastreará o que há nos céus? (SABEDORIA, 16). Este jogo começou faz tempo e sabemos que temos uma vantagem: Aqui e agora, somos nós que desenhamos o desenvolvimento, o progresso.
Sófocles (496 a.c. - 406 a.c), um dramaturgo grego, comentava em Antígona:

Todavia, ao se tornar assim senhor de um saber cujos engenhosos recursos ultrapassam toda esperança, ele pode em seguida tomar o caminho do mal como do bem. Que o homem inclua, pois, nesse saber, as leis da sua pólis e a justiça dos deuses, à qual jurou fidelidade! (Sófocles – Antígona – versos 364 a 369)

O ser humano parentético de Ramos, o homem5 genérico (sic) de Marx, ou o ser humano Pós-moderno de Bauman, criam e dão sentido a uma nova sociabilidade, que se constrói diariamente em cada contexto, em cada comunidade. O vento do progresso nos convida a sermos a gênese do Adão individualizado, só, postado novamente diante de dois caminhos, na progressiva e permanente gênese de si mesmo.


quarta-feira, 26 de abril de 2017

As regras do jogo

Em homenagem à Lucy (a mãe da humanidade)

O conhecimento está em tudo,
Absoluto é relativo,
Porque é o que é e é o que está!...
Evolui ...
E em seu próprio tempo...é o que há!

Tudo a nossa volta expressa,
Sem pressa.
Progressivamente...
O conhecimento!
Não há diferenças, há encaixes!
É um desenho, um jogo
Do mestre da atenção.
Não há erros, há junções.
Interações!

Construtores da vida !
E já vai longe o sétimo dia!
E não é para ganhar o jogo,
Mas, perceber o encarte.
E na arte... da undécima hora,
Fazer a sua parte!
Por hora.

Conhece as regras do jogo?
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Estou precisando delas!
(Regina Moraes, mai. 2017)




"Portanto, cuidai de pôr em prática todos os estatutos e normas que hoje coloco à vossa frente".  (Deuteronômio, 11:32)


sábado, 4 de fevereiro de 2017

Quando se sonha sozinho é apenas um sonho. Quando se sonha juntos é o começo da realidade.

Será possível resgatarmos a finalidade das organizações – públicas e privadas - na trajetória da Democracia participativa e representativa? E dentro desta trajetória organizacional ter como finalidade o próprio  ser humano? E dentro deste, uma espiritualidade moral enraizada no bem comum? Que viabilize uma individualidade que se projete na vida do outro, com reciprocidade?

Nas marés da vida, na tempestade da Ação, uma onda flutuante, uma lançadeira desenfreada, Nascimento e túmulo, um mar eterno, Uma vida que tece e flui, todo luminosa, Assim, no tear sussurrante do tempo é a minha mão que prepara a vestimenta da vida que a Divindade veste! (Goethe - O Fausto)

Será que em algum tempo na vida veremos a organização  democrática em cada oficina e em cada escola; a oficina e a escola em cada templo; cada templo em cada homem e em cada mulher e cada um dentro da vida, todos trabalhando juntos em prol de todos.?

Moral: A construção da vida encontra-se, atualmente, mais em poder dos fatos do que das convicções. (Walter Benjamin) Mas...Quando se sonha sozinho é apenas um sonho. Quando se sonha juntos é o começo da realidade. (Dom Quixote em Miguel de Cervantes).


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Escolha da Sabedoria

Vigie sempre o seu pensamento,  dele depende  sua vida. (Sabedoria)