terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Uma interlocução entre Ricardo Reis (Fernando Pessoa) e Cecilia Meireles

Se fosse possível uma interlocução com Fernando Pessoa, talvez o poeta português dissesse-nos como nos renovarmos em 2019:
"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No minimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."
(Fernando Pessoa (Odes de Ricardo Reis))
ou nos dissesse de uma outra forma...
"Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas,
O resto e' a sombra
De arvores alheias.
(Fernando Pessoa (Odes de Ricardo Reis)

omo emprestado de Cecília Meireles - para mim mesma e para todos - suas palavras sobre Renovação. Que em 2019 sejamos sempre os mesmos, sempre outro:
"Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo".

sábado, 25 de agosto de 2018

Não há passaporte fácil para o sucesso

É terrível quando só nos resta a experiência para nos ensinar. É que a filosofia foi banida da nossa vida diária. E a espiritualidade também.
Queria tanto poder ensinar aos meus filhos e aos meus alunos tudo que eu vivi e aprendi para que pensem e antes de agir avaliem as consequências das ações, e se tornem seres éticos. Mas a experiência é uma rua e a filosofia com a ética é outra rua. Elas são paralelas e se comunicam em seu coração/mente. Você é o vetor da Ética nestas conexões.
A avaliação de cada coisa que você faz e das consequências de suas ações no futuro é que torna o seu ser ético e faz de você um vetor ético.
E não há passaporte para o sucesso, “pois as melhores ações hoje, podem resultar no pior erro” (Edgar Morin). Daí decorre um importante corolário: a avaliação não é uma atividade solitária, ela é resultado da reflexão conjunta e da meditação pessoal.
E na tomada de decisão é bom não esquecer da história de Jonas nas Sagradas Escrituras, que nos ensina que até D’us faz revisão de suas estratégias de ação.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

O Indivíduo, o estado e o cidadão


 Pós- Modernidade e o conceito de Crematística em Aristóteles

Vivemos hoje um conceito de economia fundada na produção e na apropriação da prosperidade por poucos. Aristóteles[1] já havia estudado este aspecto da economia, quando criou o conceito de crematística,  juntando as idéias de khréma e atos, ou seja a  busca incessante do prazer no domínio individual da riqueza. Significa colocar a acumulação da riqueza antes do meio ambiente, antes da ecologia. Simboliza um tipo de economia que não privilegia os seres humanos, nem as matas, nem os rios. Simboliza a degradação sócio-ambiental etc, sem preocupação com as consequências deste tipo de economia predatória.

O pensamento aristotélico influenciou tanto o Direito, quanto a educação, como a economia , no sentido de seu conceito a respeito dos modos de vida privado e  público, no qual o ser humano está envolvido. Modos, certamente imbricados e impossível de separá-los. No entanto hoje este sistema público-privado encontra-se fragilizado pela exacerbação individualista da concepção do modo de vida privado, que carrega consigo como um irmão siamês, o âmbito público, esmaecido, sangrado, quase sem vida.

Na Antiga Grécia, o âmbito privado consistia no ser humano e sua família – Oikos em grego -  que também significava a terra, o meio ambiente, os bens que supriam estas pessoas. Já o âmbito  público havia o conceito de cidadão e ser cidadão significava integrar a administração da justiça e a assembléia que legislava e governava a cidade.

Aristóteles ao definir a Crematrística, distinguiu  três modos de adquirir riquezas: a colheita, a troca de bens e o comércio, que segundo ele não poderia ser hierarquicamente superior à política.  Para Aristóteles a vida que vale a pena ser vivida se daria no estado, pela política.


Hegel[2] em sua filosofia do direito traz o significado de sociedade civil-burguesa onde a finalidade é o âmbito particular. O âmbito público é o meio, que existe para satisfazer as necessidades do cidadão privado, significando com isto que as carências de todos servirão de instrumento para suprir a satisfação particular. Neste sentido, perder-se-ia o real sentido da economia, que segundo Aristóteles seria  a de satisfazer as reais necessidades.

O particular é o princípio da sociedade civil-burguesa” (HEGEL, 2010, § 189), estando confinado, restringido, aviltado  o interesse universal. Mas é bom lembrar que estado e indivíduo são indissociáveis, pois o cidadão surge no imbricamento do estado com o indivíduo. Pode ser um indivíduo comprometido com a res pública ou inteiramente privatizado, desligado dos interesses coletivos repreaentados pelo Estado.

Na Pós-modernidade a única lei é o lucro e o ser humano  se torna um selvagem, porque no seu individualismo escolheu viver isolado do estado e tornou-se um deus, porque dita a vida a ser vivida por milhares de pessoas, um deus de outra natureza, cujo nome –apesar de tudo – é desconhecido por todos.

Referências bibliográficas

ARISTÓTELES, Política. Tradução Torrieri Guimarães, São Paulo, editora Hemus, 2005.

HEGEL, G. W. F. Princípios da Filosofia do Direito. Tradução Orlando Vitorino. Lisboa: Guimarães Editores, 1990.




[1] O Filósofo grego Aristóteles nasceu em 384 a.C., na cidade de Estágira, e morreu em 322 a.C. Sua filosofia influênciou a educação e o pensamento ocidental contemporâneo. No entanto a Economia não se valeu deste poderoso afluente para lidar com a riqueza, pautada no bem comum.
[2] Filosofo alemão que nasceu em Sttutgart em 1770 e morreu em 1831

sexta-feira, 18 de maio de 2018

#Aquiloquenãofomos

Para mim, interpretando Peter Berger, o significado de Multiculturalidade em versos, poderia ser este abaixo chamado “Aquilo que não fomos”.
Na verdade, os processos cognitivos são construídos a muitas mãos e neste azo, à disposição da correnteza, homens e mulheres somos levados a refazer estes processos todos os dias, reconstruindo as paredes de nosso encarceramento. Triste representação!
Isto até que tenhamos aprendido a ser Interculturais e possamos “ser” humanos em toda a extensão deste significado, mudando o Curso da história, num novo salto cognitivo.
Eis o poema:


Ninguém tem culpa
daquilo que não fomos.
Não ouve erros.
Nem cálculos falhados.
Sobre a estipe de papel;
Apenas não somos os calculistas.
Porem os calculados.
Não somos os desenhistas.
Mas os desenhados.
E muito menos escrevemos versos.
E sim somos escritos.
.....
Autor: (Paulo Bonfim)
Fernando Pessoa explica: Eu sou uma tela em branco e oculta mão colora a vida em mim".

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

O dinheiro e o significado da vida

Na Mitologia grega o renascimento dos antepassados é representada pela figura mitológica de Hermes Psicopompe, que tem a missão - segundo o paganismo grego - de... conduzir os mortos ao Mundo das Trevas, colocando o caduceu sobre os seus olhos.

O Caduceu simboliza a Contabilidade e é representado por um bastão. Perfeito o símbolo da contabilidade neste contexto da vida, no qual tudo deve ser pesado, medido, contabilizado.

No símbolo do caduceu, o bastão é entrelaçado por duas serpentes e um elmo alado. É o emblema protetor do comércio, emblema da paz e prosperidade. A insígnia da profissão contábil significa a capacidade, a inteligência e a astúcia. Aqui se entende que não é o dinheiro que traz a infelicidade, mas é a falta de habilidade da  natureza humana em não saber como administrá~lo em prol do bem comum.

Na mitologia grega Hermes Psicopompe representa também o renascimento, a transformação, o novo e a recompensa pelos esforços empreendidos.

Nestes contextos da vida comum,  deveríamos pensar mais sobre o dinheiro e o significado da vida!

sábado, 2 de setembro de 2017

O Novo individualismo da Pós Modernidade

Neste tempo de “progresso” um novo individualismo está sendo gerado, um ser humano mais cultural, enraizado em seus valores. A questão é que o ser humano torna-se a síntese deste momento histórico, e se faz o humano parentético de Guerreiro Ramos, enfrentando, de um lado as teses da Pós-modernidade e do outro a antítese de sua própria humanidade.

Mas por ser a síntese nesse processo dialético, o ser humano traz guardado em si mesmo variáveis que não estão nem na Tese , nem na antítese, mas que são potenciais da raça humana – um ser humano entre parênteses inserido no aqui e agora, aprontando-se para o salto em uma nova trajetória.

De certa forma Guerreiro Ramos profetizou a chegada do ser humano pós-moderno de Zygmunt Bauman, que teve que se desenvolver como um ser humano criativo, autônomo, e que aprendeu – por força dos novos paradigmas - a sacrificar a sua vida, porque segurança e liberdade lhes foram negadas. Uma segurança que se desmorona no ar, que o impulsionou para o “progresso” tecnológico sem humanismo, e ele não pode voltar atrás, porque um vento chamado futuro o impulsiona para frente. O ser humano precisa mais do que nunca de uma atitude crítica, para viver este momento.

O adjetivo “parentético” de Guerreiro Ramos vale-se da noção de “em suspenso”. A atitude crítica suspende ou coloca entre parêntese a crença do mundo comum, permitindo ao indivíduo alcançar um nível de pensamento conceitual. Sou a luta entre um homem (sic) acabado e outro que está andando no ar.
É possível criar em si mesmo um ser humano autônomo, corajoso e ético? Marx falava em ser humano genérico, que não é só um homem produtivo, mas o portador de um saber e de um ser.

Á custo conjeturamos o terrestre, com trabalho encontramos o que está à mão: quem rastreará o que há nos céus? (SABEDORIA, 16). Este jogo começou faz tempo e sabemos que temos uma vantagem: Aqui e agora, somos nós que desenhamos o desenvolvimento, o progresso.
Sófocles (496 a.c. - 406 a.c), um dramaturgo grego, comentava em Antígona:

Todavia, ao se tornar assim senhor de um saber cujos engenhosos recursos ultrapassam toda esperança, ele pode em seguida tomar o caminho do mal como do bem. Que o homem inclua, pois, nesse saber, as leis da sua pólis e a justiça dos deuses, à qual jurou fidelidade! (Sófocles – Antígona – versos 364 a 369)

O ser humano parentético de Ramos, o homem5 genérico (sic) de Marx, ou o ser humano Pós-moderno de Bauman, criam e dão sentido a uma nova sociabilidade, que se constrói diariamente em cada contexto, em cada comunidade. O vento do progresso nos convida a sermos a gênese do Adão individualizado, só, postado novamente diante de dois caminhos, na progressiva e permanente gênese de si mesmo.


quarta-feira, 26 de abril de 2017

As regras do jogo

Em homenagem à Lucy (a mãe da humanidade)

O conhecimento está em tudo,
Absoluto é relativo,
Porque é o que é e é o que está!...
Evolui ...
E em seu próprio tempo...é o que há!

Tudo a nossa volta expressa,
Sem pressa.
Progressivamente...
O conhecimento!
Não há diferenças, há encaixes!
É um desenho, um jogo
Do mestre da atenção.
Não há erros, há junções.
Interações!

Construtores da vida !
E já vai longe o sétimo dia!
E não é para ganhar o jogo,
Mas, perceber o encarte.
E na arte... da undécima hora,
Fazer a sua parte!
Por hora.

Conhece as regras do jogo?
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Estou precisando delas!
(Regina Moraes, mai. 2017)




"Portanto, cuidai de pôr em prática todos os estatutos e normas que hoje coloco à vossa frente".  (Deuteronômio, 11:32)